Operação Fariseus aponta relação afetiva e financeira entre missionária e fundador do CV em Mato Grosso
Relatório da Polícia Civil que embasou a Operação Fariseus aponta que a missionária evangélica Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida mantinha um relacionamento afetivo, financeiro e operacional com Renildo Rios, conhecido pelos apelidos de “Chapa”, “Velhote” e “Veio”, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso e integrante do alto escalão da facção.
Segundo a investigação, Renildo ocupa a função de conselheiro final dentro da organização criminosa e está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
Os investigadores identificaram conversas entre Rhavenna e Renildo envolvendo questões pessoais, movimentações financeiras, visitas ao presídio e assuntos relacionados a atividades atribuídas à facção.
Também foram encontrados registros que, conforme a Polícia Civil, confirmariam a proximidade entre os dois, além do envio de presentes, valores e outros benefícios à missionária.
Investigação aponta movimentação de recursos
De acordo com o relatório, o relacionamento também teria dimensão financeira.
A Polícia Civil apura se recursos enviados por Renildo a Rhavenna e a familiares dela foram posteriormente movimentados por meio de empresas e outras atividades comerciais com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro.
Em uma conversa interceptada em março de 2026, Rhavenna teria relatado à irmã, Anatany de Barcelos Souza Alves, também investigada na operação, que Renildo havia manifestado intenção de oficializar o relacionamento.
Para os investigadores, o conjunto das mensagens e transações demonstra que a ligação entre os dois teria ultrapassado o campo pessoal, alcançando também interesses financeiros e atividades relacionadas à organização criminosa.
Polícia aponta contato com outras lideranças do CV
As investigações também indicam que Rhavenna mantinha proximidade com outros nomes apontados como integrantes da cúpula do Comando Vermelho.
Entre eles está Sandro Silva Rabelo, conhecido como “Sandro Louco”, citado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção em Mato Grosso.
Outro nome mencionado é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “K9”, “Batman” ou “Black Store”, apontado pela Polícia Civil como integrante do alto escalão da organização.
Segundo o relatório, Jonas teria oferecido apoio a Rhavenna e familiares durante viagens ao Rio de Janeiro, além de participar de movimentações envolvendo valores.
Projeto religioso está no centro da investigação
Rhavenna é apontada como um dos principais alvos da Operação Fariseus, deflagrada em 16 de julho.
A Polícia Civil sustenta que o projeto “Equipe Evangelismo Resgatando Vidas”, do qual a missionária participava, teria sido utilizado para intermediar contatos entre lideranças do Comando Vermelho presas e integrantes da organização que estavam fora do sistema penitenciário.
Segundo a investigação, o trabalho de evangelização teria servido para transmitir informações de presos a pessoas ligadas à facção em Mato Grosso e no Rio de Janeiro.
Os investigadores também apuram suspeitas de entrada de celulares na PCE, transmissão de recados e ordens e movimentação de valores.
O delegado Victor Hugo, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), afirmou que as atividades identificadas pela investigação ultrapassariam a finalidade religiosa do projeto.
“Eles recebiam recados, eles dilapidavam valores em espécie, eles transportavam valores para outras pessoas. Então eles fazem parte da organização criminosa; disso a gente não tem dúvida nenhuma. Vamos demonstrar isso no caderno investigativo”, declarou.
Familiares também são investigados
A investigação não se restringe a Rhavenna.
Os pais dela, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, também são apontados pela Polícia Civil como suspeitos de participação na estrutura investigada e foram alvos de mandados de busca e apreensão.
Também aparecem entre os investigados Rhuan Barcelos, primo de Rhavenna; Anatany Barcelos, irmã da missionária; Jéssi Mariane Araújo dos Anjos; Karolina Lopes Padilha; Wiara Lima Cadore; e Lais Barbosa Lopes.
A Polícia Civil apura o papel atribuído a cada um deles nas supostas atividades de comunicação, apoio logístico e movimentação financeira relacionadas à organização criminosa.
Empresas são investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro
Outra frente da Operação Fariseus busca esclarecer a origem do patrimônio atribuído a Rhavenna.
De acordo com o delegado Victor Hugo, a Polícia Civil suspeita que parte dos bens tenha sido formada com recursos provenientes da relação mantida com integrantes da facção.
Os investigadores afirmam ainda que atividades comerciais relacionadas à missionária teriam sido utilizadas para dar aparência legal a recursos de origem criminosa. Entre os negócios investigados está a empresa “A Burguesinha dos Looks”.
A apuração também examina outros benefícios financeiros que, segundo a Polícia Civil, teriam sido custeados por integrantes da organização criminosa.
As acusações fazem parte de uma investigação em andamento e ainda dependem da análise do Poder Judiciário, assegurado aos investigados o direito de defesa.







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