×

Urnas redesenham poder familiar em MT e fortalecem Mendes, Brunini, Ferreira e Russi

As eleições de 2026 provocaram uma mudança significativa na composição dos grupos familiares com presença na política de Mato Grosso. Sobrenomes que durante anos ocuparam posições de destaque perderam representação, enquanto outras famílias ampliaram sua participação e chegarão a 2027 distribuídas entre Senado, Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa e prefeituras.

O resultado não significa o desaparecimento das famílias da política estadual. O que ocorreu foi uma mudança nos principais protagonistas. De um lado, Campos, Riva, Fávaro e Pinheiro perderam espaço nas urnas. Do outro, Mendes, Brunini, Ferreira e Russi consolidaram ou ampliaram suas posições.

A partir de fevereiro de 2027, Mauro Mendes (União Brasil) e Virginia Mendes (União Brasil) estarão simultaneamente no Congresso Nacional. Mauro foi eleito senador, enquanto Virginia, em sua primeira disputa eleitoral, conquistou uma cadeira de deputada federal. Ele recebeu 1.187.352 votos, correspondentes a 33,21% dos votos para o Senado, enquanto ela somou 102.120 votos para a Câmara.

Em Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini (PL) permanecerá no comando do Executivo municipal, enquanto a esposa, Samantha Iris, também conhecida eleitoralmente como Samantha do Abilio (PL), deixará a Câmara de Vereadores para ocupar uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa.

Situação semelhante será registrada em Rondonópolis. Cláudio Ferreira (PL) segue como prefeito do município e Alessandra Ferreira (Podemos), sua esposa, garantiu uma vaga de deputada estadual.

No grupo liderado por Max Russi (Podemos), a presença política já vinha sendo construída havia anos e ganhou novo impulso nas eleições. Russi foi o candidato mais votado para deputado estadual em Mato Grosso e seu partido conquistou a maior bancada da próxima legislatura. Fora da Assembleia, a esposa dele, Andréia Wagner, governa Jaciara, enquanto o irmão, Alexandre Russi, é prefeito de Juscimeira.

Mendes ampliam presença em Brasília

Entre os núcleos familiares fortalecidos pelas urnas, os Mendes alcançaram posições de maior abrangência no cenário estadual e federal.

Mauro Mendes deixou definitivamente o Governo de Mato Grosso em março de 2026 para concorrer ao Senado. Nas urnas, terminou como o candidato mais votado para o cargo, com 1.187.352 votos, equivalentes a 33,21%. A segunda vaga ficou com Zé Medeiros (PL), que obteve 977.777 votos.

Virginia Mendes, que durante o período do marido no Governo atuou como primeira-dama, fez sua estreia como candidata e conseguiu chegar diretamente à Câmara Federal. Ela recebeu 102.120 votos e ficou entre os candidatos do Estado que superaram a marca dos 100 mil votos.

O grupo político também preservou sua influência no Palácio Paiaguás. Otaviano Pivetta (Republicanos), que foi vice-governador de Mauro e assumiu definitivamente o Executivo após a renúncia do então governador, venceu a eleição de 2026 ainda no primeiro turno e continuará à frente do Estado. Com 100% das urnas totalizadas, Pivetta recebeu 1.128.099 votos, o equivalente a 60,77% dos votos válidos.

Dessa forma, o grupo que esteve à frente do Governo nos últimos anos chegará a 2027 com representação no Executivo estadual e nas duas Casas do Congresso: Pivetta permanecerá no Paiaguás, Mauro seguirá para o Senado e Virginia assumirá mandato na Câmara dos Deputados.

Abilio permanece na Prefeitura e Samantha chega à Assembleia

A família Brunini ampliou rapidamente sua participação na política mato-grossense.

Depois de exercer mandatos como vereador e deputado federal, Abilio Brunini venceu a eleição para prefeito de Cuiabá em 2024 e permanece no comando da administração municipal. A própria Prefeitura da Capital o identifica atualmente como chefe do Executivo cuiabano.

Samantha Iris entrou na disputa eleitoral pela primeira vez em 2024 e conquistou uma cadeira na Câmara Municipal. Dois anos depois, decidiu concorrer à Assembleia Legislativa.

A candidatura avançou e Samantha foi eleita deputada estadual com 57.900 votos, ficando com a quarta maior votação entre os 24 eleitos para a próxima legislatura.

Com a nova configuração, a partir de 2027 o casal terá presença simultânea nos poderes Executivo municipal e Legislativo estadual: Abilio continuará prefeito de Cuiabá, enquanto Samantha passará a atuar na Assembleia Legislativa.

Cláudio e Alessandra ampliam representação em Rondonópolis

Outro núcleo familiar que saiu fortalecido das eleições foi o de Cláudio e Alessandra Ferreira.

Cláudio Ferreira deixou a Assembleia Legislativa depois de conquistar a Prefeitura de Rondonópolis em 2024. Atualmente, ele permanece à frente do Executivo da segunda maior cidade de Mato Grosso.

Em 2026, Alessandra Ferreira disputou uma cadeira de deputada estadual pelo Podemos e foi eleita com 50.802 votos. O resultado foi confirmado pela Justiça Eleitoral e assegurou a ela mandato na Assembleia entre 2027 e 2030.

Assim, mesmo após a saída de Cláudio do Legislativo para assumir a Prefeitura, o grupo ligado ao prefeito continuará representado na Assembleia, agora por Alessandra.

Durante a campanha, Cláudio também participou da articulação em torno das candidaturas de Alessandra e Samantha Iris. As duas primeiras-damas terminaram a disputa entre as mulheres eleitas para o Legislativo estadual: Samantha recebeu 57.900 votos e Alessandra, 50.802.

Russi consolida força eleitoral e partidária

Diferentemente das famílias Mendes, Brunini e Ferreira, a presença dos Russi em diferentes espaços da política não surgiu com as eleições de 2026.

O grupo já possuía atuação consolidada, especialmente na região do Vale do São Lourenço, e ampliou sua projeção após o resultado das urnas.

Max Russi foi reeleito deputado estadual com 86.934 votos e terminou como o candidato mais votado para a Assembleia Legislativa em Mato Grosso. Além do desempenho individual, o parlamentar ganhou força dentro da próxima composição da Casa.

O Podemos conquistou seis das 24 cadeiras disponíveis e terá a maior bancada da Assembleia a partir de 2027. PL e Republicanos elegeram quatro deputados cada, enquanto o MDB conquistou três vagas.

A influência política da família também está presente em duas administrações municipais. Andréia Wagner, esposa de Max, está à frente da Prefeitura de Jaciara, enquanto Alexandre Russi, irmão do deputado, comanda Juscimeira.

O desempenho de Max nas urnas, somado à bancada conquistada pelo Podemos e à presença da família em administrações municipais, aumenta sua participação nas articulações políticas do próximo período.

Sobrenomes tradicionais perdem representação

Enquanto alguns grupos ampliaram espaço, famílias com longa trajetória na política mato-grossense não conseguiram assegurar representantes eleitos para a próxima legislatura.

Entre elas estão Campos, Riva, Fávaro e Pinheiro, sobrenomes que ocuparam cargos de destaque em Mato Grosso durante diferentes períodos.

Os irmãos Jayme e Júlio Campos construíram carreiras que passaram por algumas das principais posições políticas do Estado. Ao longo das últimas décadas, integrantes da família ocuparam a Prefeitura de Várzea Grande, o Governo de Mato Grosso, o Senado, a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa.

Jayme Campos chegará ao fim do atual mandato de senador sem outro cargo eletivo garantido para 2027. Júlio Campos, por sua vez, não conseguiu renovar seu mandato de deputado estadual.

Na família Riva, Janaina deixou a Assembleia Legislativa após três mandatos consecutivos para disputar uma das duas vagas ao Senado. Ela recebeu 519.434 votos, ou 14,53%, e terminou em terceiro lugar, atrás dos eleitos Mauro Mendes e Zé Medeiros.

A tentativa de manter o sobrenome Riva na Assembleia também não teve sucesso. Jéssica Riva, irmã de Janaina, concorreu ao cargo de deputada estadual, mas ficou fora das 24 vagas.

Os Fávaro enfrentaram cenário semelhante. Carlos Fávaro tentou permanecer no Senado, mas terminou a eleição em quarto lugar, com 411.020 votos, equivalentes a 11,50%. Sua filha, Rafaela Fávaro, candidatou-se pela primeira vez à Assembleia Legislativa e recebeu 7.385 votos, sem conseguir uma cadeira.

Entre os Pinheiro, Emanuelzinho também não conseguiu renovar o mandato de deputado federal. Ele recebeu 50.951 votos, mas ficou fora das oito vagas de Mato Grosso na Câmara. O resultado interrompe, neste momento, a presença eletiva de uma família que nos últimos anos também esteve no comando da Prefeitura de Cuiabá com Emanuel Pinheiro.

As derrotas de 2026, contudo, não significam necessariamente o encerramento da atuação política dessas famílias. Lideranças como Jayme Campos, Janaina Riva, Carlos Fávaro e Emanuel Pinheiro continuam inseridas no cenário partidário e podem voltar a disputar eleições.

O que o resultado de 4 de outubro estabeleceu foi uma nova configuração imediata de poder em Mato Grosso: grupos que durante décadas mantiveram presença constante nos principais cargos perderam representação, enquanto outros sobrenomes ampliaram espaço e chegam a 2027 ocupando posições relevantes nos municípios, no Estado e em Brasília.

Publicar comentário