×

Após cancelamento de debate da Globo, Coronel Fernanda critica Judiciário e defende Flávio no 1º turno

A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) criticou decisões do Judiciário relacionadas ao debate presidencial que seria promovido pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º). Na avaliação da parlamentar, as determinações judiciais teriam interferido no processo eleitoral e beneficiado politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O encontro, que seria o último debate entre presidenciáveis antes do primeiro turno das Eleições 2026, acabou cancelado. Lula já havia comunicado que não participaria do programa, enquanto Flávio Bolsonaro (PL), que inicialmente havia confirmado presença, desistiu horas antes da transmissão.

Ao comentar o episódio, Coronel Fernanda afirmou considerar as decisões uma demonstração de politização do Judiciário. Segundo ela, seria a primeira vez, desde a eleição presidencial de 1989, que observaria uma interferência dessa natureza em favor de um candidato. A declaração expressa a interpretação política da deputada sobre as decisões judiciais e não uma conclusão estabelecida pela Justiça.

A parlamentar também relacionou o episódio à discussão sobre o equilíbrio entre os Poderes. Para ela, uma eventual mudança de governo deveria ser acompanhada de alterações na relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Durante sua manifestação, Coronel Fernanda defendeu a saída do PT do comando do Palácio do Planalto e declarou apoio à eleição de Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. A deputada também fez críticas à atual gestão federal, associando o governo petista a casos de corrupção e ao cenário fiscal do país.

Na sequência, a parlamentar afirmou que, em sua avaliação, seria necessário fortalecer a atuação do Congresso Nacional para ampliar a fiscalização sobre os demais Poderes. Ela defendeu que deputados e senadores estejam preparados para analisar eventuais pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal quando houver fundamentos legais para esse tipo de processo.

Coronel Fernanda também mencionou as investigações envolvendo irregularidades em descontos de benefícios do INSS e o caso Banco Master. A deputada utilizou os episódios para sustentar suas críticas sobre supostas relações inadequadas entre integrantes de instituições públicas e pessoas investigadas. As afirmações feitas por ela representam seu posicionamento político sobre os casos e não significam, por si só, comprovação de participação irregular das pessoas mencionadas.

Debate foi cancelado após decisões do TSE e STF

O debate da TV Globo estava previsto para a noite de 1º de outubro e seria o último promovido pela emissora antes da votação do primeiro turno, marcada para domingo, 4 de outubro.

Antes do programa, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Globo não poderia manter em destaque o púlpito reservado a Lula durante a ausência do candidato. A decisão atendeu a um pedido apresentado pela coligação do presidente.

Outra decisão, desta vez do Supremo Tribunal Federal, determinou a participação do candidato Renan Santos (Missão) no debate. Segundo a Globo, as duas notificações judiciais interferiram nas regras que haviam sido previamente acertadas para o encontro. Diante do novo cenário e após a desistência de Flávio Bolsonaro, a emissora decidiu cancelar o programa.

Flávio Bolsonaro classificou as decisões como censura ao justificar sua ausência. Lula, por sua vez, já havia informado que não iria ao debate e participou de uma entrevista ao Flow Podcast naquela noite.

O calendário oficial do TSE estabeleceu 1º de outubro como o último dia para a realização de debates no rádio e na televisão antes do primeiro turno, admitindo apenas a extensão de eventos iniciados naquela data até as 7h do dia seguinte. A votação do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizada em 4 de outubro.

Ao abordar o cancelamento, Coronel Fernanda afirmou que considera a eleição presidencial parte de uma discussão mais ampla sobre a composição do Congresso e o funcionamento das instituições brasileiras. Para a deputada, a eleição de um Legislativo mais alinhado às mudanças que defende seria necessária para alterar a atual relação entre os Poderes.

Publicar comentário