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Famato pressiona candidatos por secretaria exclusiva para agricultura em Mato Grosso

A criação de uma Secretaria de Agricultura e Abastecimento deve ocupar espaço de destaque nas discussões entre o setor produtivo e os candidatos ao Governo de Mato Grosso nas Eleições de 2026. A reivindicação foi reforçada nesta quinta-feira (3) pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, durante uma sabatina com representantes do segmento.

A proposta também conta com apoio de entidades como a Aprosoja e de outras federações ligadas ao setor produtivo. Para Vilmondes, o peso do agronegócio na economia mato-grossense justifica a existência de uma estrutura específica dentro do governo estadual para tratar das demandas do campo.

Segundo o presidente da Famato, uma secretaria própria permitiria maior proximidade entre produtores e o Executivo, além de facilitar a elaboração e discussão de políticas públicas voltadas ao agronegócio. Ele ressaltou que a reivindicação não é recente e vem sendo apresentada pelo setor há bastante tempo.

Na avaliação de Vilmondes, a ausência de um canal específico dentro do governo dificulta a interlocução sobre questões estratégicas para a produção agropecuária. A existência de um secretário diretamente ligado à agricultura e ao abastecimento, segundo ele, ampliaria o espaço institucional para tratar dos problemas enfrentados pelos produtores.

Outro ponto apontado como prioridade para os próximos quatro anos é o elevado nível de endividamento no campo. O dirigente da Famato defendeu que o governo estadual participe das discussões e da busca por alternativas capazes de auxiliar segmentos considerados fundamentais para a economia de Mato Grosso.

Vilmondes também pregou maior aproximação entre o próximo governador e as entidades produtivas. Para ele, o diálogo deverá resultar em políticas capazes de agregar valor aos produtos mato-grossenses e ampliar a geração de riqueza dentro do próprio Estado.

O presidente da entidade afirmou que o período eleitoral representa uma oportunidade para apresentar essas demandas aos candidatos e, posteriormente, cobrar do vencedor compromissos concretos com os diferentes setores econômicos.

Setor industrial cobra planejamento regional e atenção aos incentivos

Durante as discussões, o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, também apresentou preocupações do setor industrial para a próxima gestão estadual.

Segundo ele, o desenvolvimento econômico de Mato Grosso exige planejamento que considere as características específicas de cada região. Agricultura, indústria e comércio, conforme Rangel, possuem realidades distintas e precisam receber políticas adaptadas às necessidades locais.

Outro tema considerado importante pelo setor industrial é o futuro dos incentivos fiscais. Rangel lembrou que os atuais mecanismos estão assegurados até 2032, mas destacou que o avanço da reforma tributária exigirá a construção de novas alternativas para preservar a competitividade das empresas instaladas no Estado.

O presidente da Fiemt ressaltou que Mato Grosso possui elevada capacidade de produção, mas um mercado consumidor interno limitado. Por isso, grande parte das mercadorias precisa ser enviada para outras unidades da Federação, o que amplia os custos logísticos.

Na avaliação do representante industrial, será necessário encontrar mecanismos que compensem essas desvantagens e permitam a continuidade da expansão econômica e industrial mato-grossense.

Rangel também defendeu critérios técnicos para a escolha dos integrantes do primeiro escalão do próximo governo. Segundo ele, as secretarias estaduais devem ser comandadas por profissionais capacitados e com conhecimento das respectivas áreas, independentemente do setor.

Para as entidades presentes na sabatina, a próxima administração estadual deverá ampliar o diálogo com os diferentes segmentos da economia e formular estratégias específicas para enfrentar desafios como endividamento rural, logística, competitividade, agregação de valor à produção e mudanças no sistema de incentivos fiscais.