Pivetta diz que repercussão política da Operação Heritage pode afetar disputa eleitoral em MT
O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou que a utilização da Operação Heritage no embate político entre os candidatos pode provocar reflexos na disputa eleitoral deste ano. A declaração foi dada na quinta-feira, 20 de agosto, ao comentar os desdobramentos da investigação da Polícia Federal.
A operação atingiu integrantes importantes do grupo político ligado ao governador. Entre os investigados estão o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), que havia sido escolhido inicialmente para ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada por Pivetta.
Ao falar sobre o caso, Pivetta declarou confiar no trabalho da Justiça e disse acreditar na inocência dos aliados envolvidos. Para o governador, a maneira como a investigação passou a ser usada no debate político pode influenciar a avaliação dos eleitores e prejudicar o processo eleitoral.
A Operação Heritage foi deflagrada pela Polícia Federal em 6 de agosto, após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura possíveis irregularidades relacionadas a um acordo de aproximadamente R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi. Entre as suspeitas investigadas estão, em tese, crimes como organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.
Durante a ofensiva, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. A Justiça também autorizou medidas como bloqueio e indisponibilidade de bens de até cerca de R$ 316 milhões, além da quebra de sigilos bancário e fiscal de investigados.
Os desdobramentos da investigação também provocaram mudanças na composição eleitoral do grupo governista. Fábio Garcia deixou a candidatura a vice-governador e voltou a concentrar seus esforços na tentativa de reeleição para a Câmara dos Deputados. Posteriormente, Pivetta oficializou a deputada Gisela Simona (União Brasil) como nova candidata a vice.
As alterações chegaram ainda ao primeiro escalão do Governo de Mato Grosso. Mauro Carvalho deixou a chefia da Casa Civil, enquanto Francisco Lopes saiu do comando da Procuradoria-Geral do Estado. Para substituir Carvalho, Pivetta confirmou Adjaime Ramos de Souza como novo secretário-chefe da Casa Civil.
Apesar do impacto da Operação Heritage sobre aliados, governo e campanha, Pivetta sustentou que a administração estadual mantém suas atividades normalmente. Segundo ele, caberá a cada investigado apresentar sua defesa durante o andamento das apurações, enquanto o Executivo seguirá cumprindo suas atribuições.
A investigação permanece em andamento, e as suspeitas apuradas pela Polícia Federal não representam condenação dos envolvidos, que têm direito à defesa e ao contraditório.






