Herdeiro do Contorno Leste acusa Abilio de “impor desapropriação” e nega acordo anunciado pela prefeitura
Família diz que doou área para atender vulneráveis, mas afirma que a desapropriação é imposição do município, não consenso
O herdeiro da área onde está a ocupação do Contorno Leste, afirmou nesta terça-feira (1º) que a desapropriação anunciada pelo prefeito Abilio Brunini (PL) não foi fruto de acordo, mas sim de uma imposição do poder público. Em entrevista, ele declarou que a família é “parte da solução”, mas que não teve escolha após o anúncio.
Segundo ele, a família chegou a doar espontaneamente uma área de 5,7 hectares no ponto mais alto e livre de enchentes para que o governo destinasse às famílias vulneráveis, seguindo critérios definidos pelo próprio Estado. Ele afirma, porém, que a Prefeitura “por motivos desconhecidos” nunca aceitou a doação.
“Existe a doação de uma área para atender os vulneráveis. A Prefeitura não aceitou. A gente é parte da solução, mas isso não está sendo divulgado”, disse.
“Não é questão de dinheiro, é questão de história”, afirma herdeiro
Questionado se a desapropriação seria aceita caso houvesse indenização, José reagiu:
“Não é dinheiro. Meu pai perdeu a vida na propriedade. Meu pai foi humilhado e massacrado. Eu nasci e cresci ali. A propriedade tem valor sentimental. É nosso direito.”
Ele também disse que não pretende se desfazer da área, que pertence à família desde 1967.
“Não tivemos escolha. A desapropriação é imposição”
A decisão da Prefeitura não foi construída com diálogo e que se sentiu surpreendido com o anúncio público de Abilio.
“A verdade é que não há acordo. É imposição. Quando o município resolve desapropriar, nós só temos que aceitar.”
Ele destacou que sempre agiu dentro da lei e que esperou o trâmite judicial após denunciar a invasão iniciada em fevereiro de 2023.
Família nega boatos de especulação imobiliária
o mesmo respondeu às acusações de que a família desejaria especular com o terreno:
“Se for para criar galinha, eu vou criar galinha. A propriedade é nossa. Está rigorosamente em dia, com atividade rural e funcionários registrados.”
Invasões começaram após obras da avenida
Segundo ele, a obra do Contorno Leste — construída dentro da propriedade — paralisou parte das atividades rurais e abriu caminho para a invasão:
“A avenida cortou nossa propriedade. A partir das obras, começaram as invasões. Denunciamos. Entraram máquinas, caminhões, desmataram. A Sema multou a gente, o que comprova a nossa posse.”
“Queremos caminhar com o prefeito, mas com verdade”
“Queremos caminhar junto. Queremos legalidade. Nunca atacamos ninguém. Mas não aceitamos que digam que existe acordo. Não existe.”
Ele afirma ainda que outros proprietários vizinhos, como a família Itacarambi, enfrentam o mesmo problema.







