Catani critica desapropriação no Contorno Leste e diz que medida é “incoerente e desnecessária”
Deputado afirma que decisão premia invasores, gera ônus ao município e ignora oferta da família para acolher vulneráveis
O deputado estadual Gilberto Catani (PL) criticou a decisão da Prefeitura de Cuiabá de avançar com a desapropriação da área do Contorno Leste para regularizar famílias que ocupam o local. Em entrevista nesta segunda-feira (2), Catani classificou a medida como “incoerente, desnecessária” e contrária aos princípios da direita, especialmente por envolver invasão de propriedade privada.
Segundo o parlamentar, a narrativa de que a desapropriação seria uma “solução humanitária” não se sustenta, já que 60 mil pessoas aguardam em programas oficiais de habitação sem jamais terem invadido áreas particulares. “Essas famílias não serão beneficiadas, mas quem invadiu vai ser. O recado que fica é: invada que regulariza”, declarou.
“Sou contra a ação, não contra o Abilio”
Catani ponderou que o prefeito Abilio Brunini (PL) mantém alinhamento com princípios conservadores, mas, nesse caso, tomou uma decisão que considera equivocada.
“Ele diz que faz por questão humanitária. Eu até entendo o lado dele, mas não concordo. A solução já existe, inclusive pela Justiça: quem invadiu não tem direito de ser beneficiado”, afirmou.
O deputado ressaltou que, segundo decisões judiciais, apenas cerca de 10% das famílias do local estão em vulnerabilidade real — justamente as que a família proprietária já se dispôs a acolher em um terreno de 5,7 hectares dentro da área original.
Família diz ser vítima e rejeita desapropriação
Catani reforçou que a família do falecido proprietário João Pinto não concorda com a desapropriação e que a área possui valor sentimental, além de histórico de violência.
O filho do proprietário, José Pinto, afirmou durante sessão na Assembleia que a família não aceita vender a terra, que não está discutindo valores e que considera a medida uma imposição.
“Isso não é acordo, é imposição. Somos parte da solução, não do conflito”, declarou.
Ônus para o município e risco de incentivo a novas invasões
O parlamentar alertou que a desapropriação trará custos milionários à Prefeitura, que já enfrenta dificuldades financeiras.
“Do jeito que está sendo proposto, vai gerar despesa desnecessária. E ainda abre precedente para que outras invasões ocorram”, criticou.
Catani afirmou também que o prefeito já havia anunciado a possibilidade de realocar as famílias em outra área, o que considera uma opção mais adequada. “Se há outra área, faça lá. Mas respeite o desejo da família.”
Voto sobre o veto do TJ: Catani confirma posição
O deputado também comentou o veto do governador Mauro Mendes ao reajuste do Judiciário. Ele confirmou que votará pela derrubada do veto, por considerar que o Tribunal de Justiça tem orçamento próprio para custear o aumento.
“Se fosse para outros poderes, votaria contra. Mas nesse caso, é orçamento do TJ. O problema é o efeito cascata — que só existe se a Assembleia aceitar,” afirmou.
Catani disse não saber se haverá votos suficientes para derrubar o veto, já que essa votação exige maioria absoluta: “Está bem dividido.”







