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 “Só pena máxima não serve”, diz Janaina Riva após morte de jovem vítima de feminicídio em SP

A deputada estadual Janaina Riva lamentou publicamente a morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio em São Paulo, e defendeu mudanças mais rigorosas no sistema penal brasileiro. A manifestação foi feita em vídeo divulgado na manhã deste domingo (25), no qual a parlamentar aparece emocionada ao comentar a brutalidade do crime e a recorrência da violência contra mulheres no país.

Tainara morreu na noite de sábado (24), após permanecer 25 dias internada no Hospital das Clínicas, em decorrência de graves ferimentos sofridos em novembro. Ela teve as duas pernas e parte dos glúteos amputados depois de ser atropelada e arrastada por Douglas Alves da Silva, de 26 anos. Com a confirmação da morte, o acusado — que segue preso — passa a responder formalmente por feminicídio.

No vídeo, Janaina afirmou que decidiu se manifestar mesmo em uma data simbólica.

“Eu não queria falar desse assunto hoje, sei que é um dia de celebração, mas uma família chora e uma nação chora. A Tainara morreu ontem, mas, na prática, ela morreu no dia do crime”, declarou.

Imagens do caso registraram o momento em que a vítima foi atingida na saída de um bar e arrastada por mais de um quilômetro, da rua Manguari até a Marginal Tietê. O acusado alegou à polícia que não percebeu a presença da vítima porque o som do carro estava alto e os vidros fechados.

A deputada contestou essa versão e afirmou que houve intenção clara de matar.

“Ele saiu dali decidido a acabar com a vida dela. Mesmo com carros buzinando, ele continuou. Isso não foi acidente, foi escolha”, afirmou.

Janaina também relatou o impacto das imagens que teve acesso após o crime e avaliou que a violência teve caráter de destruição física e simbólica.

“O objetivo era acabar com ela, desfigurá-la, destruir aquela imagem de mulher forte, bonita, cheia de personalidade”, disse.

Ao abordar as consequências penais, a parlamentar criticou o que considera penas insuficientes para crimes dessa natureza.

“Como fica essa família sabendo que, mesmo com pena máxima, esse homem pode cumprir cerca de 20 anos de prisão? Isso é justo?”, questionou.

Ela defendeu mudanças mais duras na legislação.

“Eu sei que pena de morte é controversa, mas no mínimo o Brasil precisa discutir prisão perpétua para crimes como esse. Esse tipo de criminoso não pode voltar para a sociedade”, afirmou.

Ao final, Janaina reforçou a gravidade da violência de gênero no país.

“Nós morremos no Brasil por sermos mulheres. Isso é muito triste. Só pena máxima não serve”, concluiu.