Governo deve limitar RGA a 4,26%, diz líder na ALMT
AJUSTE SALARIAL
Base governista afirma que não há sinalização para recomposição das perdas acumuladas e defende apenas reposição da inflação na votação marcada para quarta-feira
A votação do percentual da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores estaduais, prevista para esta quarta-feira (14), deve ocorrer com reajuste restrito ao índice inflacionário de 4,26%. A avaliação é do líder do governo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Dilmar Dal Bosco (União), que descartou a possibilidade de pagamento da recomposição das perdas salariais acumuladas.
Segundo o parlamentar, até o momento não houve qualquer sinalização do governador Mauro Mendes, do vice-governador ou da Casa Civil sobre a concessão de um percentual superior ao da inflação oficial. Com isso, a proposta do Executivo deve se limitar à reposição inflacionária do período.
“O governo vai mandar para a Assembleia o índice que deu, algo em torno de 4,26%. Até agora ninguém falou em outro percentual. O governador não falou, o presidente da Casa Civil não falou, nem o vice-governador. Então, a princípio, o que vamos votar é isso”, afirmou.
Dal Bosco argumentou que Mato Grosso mantém hoje salários considerados competitivos em comparação a outros estados e que uma recomposição mais ampla, como os cerca de 19,58% reivindicados por entidades sindicais, teria forte impacto nas finanças públicas.
“Se começarmos a pagar 19%, por exemplo, isso gera um impacto muito grande no Estado. Vai parar investimentos, vai paralisar obras importantes”, disse.
O deputado citou obras em andamento no interior, como duplicações de rodovias, asfaltamento, construção de escolas e convênios com prefeituras, destacando que entre 15% e 18% da Receita Corrente Líquida tem sido destinada a investimentos. Para ele, elevar significativamente o gasto com pessoal pode comprometer esse ritmo.
“Há muito tempo não se via tantas obras acontecendo no interior. Se aumentar demais o gasto com pessoal, tudo isso pode ser paralisado”, argumentou, acrescentando que o tema tende a ganhar contornos políticos por se tratar de ano eleitoral.
A posição da base governista contrasta com a pressão da oposição e de representantes do funcionalismo. Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), encomendado pela Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (Feesp), aponta defasagem salarial acumulada de aproximadamente 19,58% nos últimos cinco anos, atingindo cerca de 53 mil servidores.
Parlamentares contrários ao governo defendem que o pagamento integral do passivo é inviável no curto prazo, mas cobram ao menos a construção de um cronograma de recomposição gradual. A votação do projeto deve intensificar o embate entre a defesa do equilíbrio fiscal e a reivindicação histórica do funcionalismo estadual.







