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Prefeitos ignoram apelo de Taques e caminham com Max Russi do PSB para o Podemos

Mesmo após discurso conciliador, saída de lideranças municipais redesenha forças partidárias em Mato Grosso

Apesar do discurso de pacificação do ex-governador Pedro Taques, recém-empossado presidente estadual do PSB, a debandada de lideranças municipais da sigla já está em andamento. Prefeitos, vice-prefeitos e outras lideranças devem acompanhar o deputado estadual Max Russi na migração para o Podemos, em ato de filiação marcado para o dia 7 de março.

Ex-presidente do PSB em Mato Grosso e responsável pela consolidação da legenda no Estado, Max Russi confirmou que entre 15 e 20 prefeitos devem se filiar ao Podemos. Segundo ele, o processo ocorreu de forma dialogada com a direção nacional do PSB e sem rompimentos políticos.

“Eu já tinha um compromisso com o Podemos. O presidente nacional do PSB me ligou e falou sobre a possibilidade de passar a presidência ao ex-governador Pedro Taques. Achei excelente. Combinei apenas que a transição fosse feita no início de janeiro. Saio pela porta da frente, com tranquilidade”, afirmou Russi.

O deputado ressaltou que não houve liberação formal de mandatários para esvaziar a sigla e destacou que a decisão dos gestores é individual. “Não é política do partido liberar automaticamente. Em março de 2028, cada um faz a opção que entender melhor. Quem quiser vir para o Podemos será bem-vindo”, disse.

Além de prefeitos e vice-prefeitos, o evento de filiação deve marcar a entrada de novos quadros no partido. Estão confirmadas as filiações dos deputados estaduais Beto Dois a Um e Fábio Tardin, além de pré-candidatos a deputado estadual e federal.

“Vai ser um grande ato. Um momento importante para assumir oficialmente o Podemos em Mato Grosso e iniciar a construção partidária”, reforçou Russi.

Apelo de Taques não segura base municipal

Ao assumir o comando do PSB, Pedro Taques reconheceu publicamente o trabalho de Max Russi e tentou conter a saída de prefeitos e vereadores. Atualmente, o PSB conta com cerca de 15 prefeitos e aproximadamente 150 vereadores no Estado, base construída majoritariamente durante a gestão de Russi.

“Cumprimento o deputado Max, que fez um belo trabalho e deixou um partido forte. Assumo com a missão de defender a Constituição, a democracia e a responsabilidade política. Não posso obrigar ninguém a ficar. Liberdade é liberdade”, declarou Taques.

Ciente de que vereadores não podem trocar de partido neste momento, já que a janela partidária ocorre apenas em 2028, Taques afirmou que pretende manter o diálogo e evitar conflitos internos. “Não quero brigar. Vamos conversar e construir com tranquilidade”, pontuou.

Mesmo com o esforço de pacificação, a saída de Max Russi indica que parte significativa da base municipal do PSB deve, ao menos neste momento, optar por caminhar com o deputado no Podemos, redesenhando o mapa partidário para as eleições deste ano em Mato Grosso.