Chineses avaliam portfólio de investimentos em infraestrutura, agro e inovação em Mato Grosso
Missão com empresários e pesquisadores asiáticos, analisa projetos estratégicos e amplia diálogo com governo, setor produtivo e universidades.
Uma missão formada por empresários e pesquisadores da China iniciou, nesta terça-feira (3), uma rodada de prospecção de investimentos em Mato Grosso, com foco em infraestrutura, logística, agronegócio, inovação, turismo e cooperação acadêmica. A agenda ocorre no Palácio Paiaguás e segue até quarta-feira (4), com reuniões técnicas envolvendo governo estadual, entidades empresariais, universidades e representantes do setor produtivo.
A visita é intermediada pela Associação Brasil China 360, com apoio da Invest MT, e tem como objetivo mapear oportunidades concretas de parcerias entre empresas chinesas e mato-grossenses, ampliando uma relação comercial já estratégica.
Em 2025, a China concentrou mais de 40% das exportações de Mato Grosso, com compras que somaram US$ 12,29 bilhões. A pauta foi liderada por soja (76,6%), carne (18,4%), algodão (3,6%), minérios (1,7%) e gergelim (1,4%). No mesmo período, o país asiático também foi o principal fornecedor de Mato Grosso, com US$ 769 milhões em importações, principalmente fertilizantes, defensivos agrícolas e máquinas, insumos considerados essenciais para a competitividade do agro.
O governador Mauro Mendes destacou que o Estado está aberto à cooperação e à construção de parcerias de longo prazo.
“Recebemos investidores que vêm pela primeira vez a Mato Grosso, buscando conhecer nossos potenciais e estabelecer parcerias. Já temos uma relação comercial forte com a China, mas existe um universo muito maior para crescer”, afirmou.
A diretora-executiva da Associação Brasil China 360, Juliana Piispa, explicou que a missão tem caráter técnico e estratégico. Ao final da agenda, será elaborado um relatório que servirá de base para futuras missões temáticas, com foco em setores como logística, infraestrutura, inovação, educação e cultura.
Entre os participantes estão representantes da Lanceford International Ltd., do setor têxtil, da Ningbo Besco International Logistics, além de pesquisadores ligados à Zhejiang University. Os interesses incluem avaliação de projetos portuários, logística estatal, turismo, instalação industrial e cooperação em pesquisa e desenvolvimento.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, a estratégia do governo é avançar da relação baseada em commodities para uma agenda de investimentos produtivos.
“A China já é um parceiro central no comércio exterior. O próximo passo é transformar essa relação em cooperação tecnológica, agregação de valor e investimentos estruturantes em infraestrutura e logística”, afirmou.
A carteira apresentada aos investidores inclui projetos em concessões rodoviárias, ativos logísticos, política ambiental — com cerca de 60% do território preservado —, mineração regulada, internacionalização do aeroporto e incentivos à instalação industrial. O pacote de obras em andamento, com investimentos históricos em rodovias e pontes, reforça o objetivo de reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do Estado.







