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Daniel Monteiro afirma que documento do MP só veio à tona após pedido de CPI e cobra mais transparência

CPI NA CÂMARA DE CUIABÁ

Vereador sustenta que Prefeitura só apresentou manifestação do Ministério Público depois da proposta de investigação e diz que mudança de cargos será analisada no processo.

A tentativa de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias envolvendo o secretário municipal de Trabalho de Cuiabá, William Leite de Campos, provocou debate intenso entre vereadores durante sessão da Câmara Municipal nesta quinta-feira (5). A discussão ocorreu após declarações do vereador Daniel Monteiro (Republicanos), autor do pedido de CPI, que questionou a forma e o momento em que a Prefeitura apresentou documentos do Ministério Público sobre o caso.

Segundo Monteiro, nenhum vereador tinha conhecimento prévio do documento citado pela gestão municipal antes da formalização do pedido de CPI. Para ele, a manifestação do Ministério Público só foi apresentada depois que o tema passou a ser debatido publicamente no Legislativo.

“Eles só apresentaram esse documento depois que eu apresentei a CPI. Antes disso, ninguém aqui tinha conhecimento de qualquer documento do Ministério Público ou de investigação na ouvidoria da Prefeitura”, afirmou o parlamentar em plenário.

O vereador também levantou suspeitas sobre o que classificou como uma tentativa de blindagem política, ao tornar pública uma suposta apuração administrativa após o assunto ganhar repercussão.

“Me parece uma vacina. Se eu digo que estou investigando agora, lá na frente posso dizer que não compactuei. Mas isso só veio à tona depois que colocamos o tema em pauta”, disse.

Mudança de cargos entra no debate

Durante a fala, Daniel Monteiro destacou ainda a mudança de função ocupada por William Leite de Campos, que deixou o cargo de chefe de gabinete — posição considerada estratégica e próxima ao prefeito — e passou a comandar a Secretaria Municipal de Trabalho, localizada fora do Palácio Alencastro.

Segundo o vereador, a alteração ocorreu após os fatos que motivaram o pedido de investigação e deverá ser considerada no curso das apurações.

“Essa mudança de cargo aconteceu depois de fatos relevantes. Tudo isso será contabilizado e apreciado no momento da investigação”, declarou.

Monteiro afirmou que não busca interferir em eventuais apurações externas, mas defendeu que o Legislativo cumpra seu papel fiscalizador.

“Não estou compactuando com irregularidades, nem atrapalhando investigações. O que defendemos é transparência”, reforçou.

Embate em plenário

O debate em torno da CPI gerou embate entre parlamentares, envolvendo também a vereadora Dra. Mara (Podemos) e o líder do governo na Câmara, Dilemário Alencar (União). A sessão foi marcada por troca de provocações verbais e menções a supostas pressões políticas, incluindo relatos de ligações a vereadores.

Ao final, Daniel Monteiro fez um apelo direto à imprensa para acompanhar o caso.

“A informação não pertence ao governante, pertence à população. Vocês, da imprensa, têm instrumentos para investigar. É importante que ajudem nesse processo para que tudo venha à tona”, concluiu.

A abertura da CPI ainda depende de apoio regimental dos vereadores e deverá seguir em discussão nos próximos dias.