Vereador afirma que Câmara não teria preparo para conduzir CPI sobre denúncias de assédio
SEM INSTRUÇÃO
Felipe Corrêa defende investigação contra ex-secretário, mas critica exposição pública de vítima em eventual Comissão Parlamentar de Inquérito
O vereador Felipe Corrêa (PL), empossado nesta quinta-feira (12), afirmou que parte dos parlamentares da Câmara de Cuiabá não teria preparo técnico e “tato” para conduzir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) voltada a investigar denúncias envolvendo o ex-secretário municipal de Desenvolvimento e Trabalho, William Leite de Campos.
A declaração ocorre após o enfraquecimento do pedido de CPI que pretendia apurar o caso, substituído por uma Comissão Especial proposta pela vereadora Dra. Mara.
Exposição pública e revitimização
Felipe afirmou não ser contrário à apuração das denúncias, mas criticou o formato sugerido inicialmente, que poderia levar à oitiva da vítima em plenário, com transmissão ao vivo.
“Não estou defendendo ninguém. O secretário precisa ser investigado e, se houver culpa, punido. Mas discordo respeitosamente de trazer uma mulher para ser inquirida aqui, em plenário, com transmissão ao vivo, muitas vezes por vereadores sem a devida instrução para lidar com esse tipo de situação”, declarou.
O parlamentar comparou a situação às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, que funcionam com protocolos específicos para evitar revitimização e exposição indevida.
Crítica indireta à condução política
Sem citar nominalmente o autor do pedido de CPI, Felipe Corrêa afirmou que há limites éticos na condução pública de casos sensíveis.
“Se um advogado expõe publicamente uma cliente vítima de assédio, estaria cometendo um erro grave. Ao propor uma CPI para ouvir uma mulher nessas condições, a meu ver, incorre em equívoco semelhante”, disse.
Para ele, a Câmara deveria estruturar mecanismos institucionais internos para tratar denúncias de assédio moral e sexual, garantindo sigilo, técnica e proteção à vítima.
Proposta de protocolo interno
O vereador relembrou que, em mandato anterior, apresentou proposta para criação de um comitê interno e adoção de protocolo baseado em diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas a iniciativa não avançou.
“Esse acompanhamento tem método, garante sigilo e proteção à vítima. É diferente de uma acareação política”, afirmou.
Felipe concluiu defendendo que a investigação ocorra com responsabilidade institucional.
“Não se trata de impedir investigação, mas de garantir que ela ocorra com técnica, respeito e proteção à mulher envolvida”, finalizou.







