Déficit de profissionais leva MPF a investigar hospitais regionais de Colíder e Sorriso
Falta de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas provoca bloqueio de leitos e risco na assistência à população.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu dois inquéritos civis para investigar a falta de profissionais de saúde nos hospitais regionais de Colíder e Sorriso, em Mato Grosso. A apuração foi instaurada na última sexta-feira (6) pela procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Denise Nunes Rocha Müller Slhessarenko.
As investigações buscam verificar denúncias de grave déficit de recursos humanos, que estaria comprometendo o funcionamento das unidades hospitalares e a continuidade da assistência aos pacientes.
Colíder enfrenta falta de profissionais e equipamentos irregulares
No hospital regional de Colíder, localizado a 633 quilômetros de Cuiabá, a investigação foi motivada por denúncias de que a unidade possui 152 cargos vagos na área da saúde.
Fiscalizações realizadas pelo Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITO-9) apontaram irregularidades consideradas críticas, como:
ausência de coordenador técnico na UTI adulta falta de fisioterapeutas nas unidades de urgência e emergência equipamentos com calibração vencida
Segundo os relatórios, a situação pode comprometer a segurança dos pacientes e a qualidade do atendimento hospitalar.
Em Sorriso, equipe reduzida atende pacientes graves
No hospital regional de Sorriso, a 398 quilômetros da capital, a principal preocupação envolve a escassez de profissionais de enfermagem.
Fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (COREN-MT) apontou que, em determinado momento, apenas um enfermeiro e dois técnicos de enfermagem estavam responsáveis por dez pacientes em estado grave na UTI.
A proporção, segundo os órgãos fiscalizadores, contraria normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Leitos bloqueados e investigação em andamento
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informou que realizou a convocação de 132 profissionais para reforçar o atendimento nas unidades. No entanto, mesmo com as medidas anunciadas, ainda há leitos bloqueados e ausência de um plano de ação com prazos definidos para normalizar completamente o funcionamento dos hospitais.
Os inquéritos instaurados pelo MPF buscam verificar se as irregularidades foram solucionadas e se os serviços hospitalares estão garantindo assistência adequada e segura à população.
As duas unidades recebem recursos federais do Teto MAC (Média e Alta Complexidade), destinados à manutenção de serviços hospitalares e especializados.
O Ministério Público determinou que os resultados das apurações sejam encaminhados à 1ª Câmara de Coordenação e Revisão, seguindo os procedimentos legais de registro e publicidade.







