PF apura negociação de cannabis medicinal e mensagens citam advogado ligado a Lulinha e amigo de Nunes Marques
O advogado Otto Medeiros de Azevedo Júnior, que atua em Mato Grosso, Brasília e São Paulo, aparece em diálogos analisados pela Polícia Federal no âmbito de uma investigação sobre uma tentativa de viabilizar a venda de um projeto relacionado à cannabis medicinal ao governo federal. As informações foram reveladas inicialmente pelo Estadão e também repercutidas por outros veículos.
Medeiros já mantinha relação profissional com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O advogado atuou anteriormente em processo envolvendo questões tributárias de Fábio Luís. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em abril, Lulinha também viajou em fevereiro de 2025 em um jato particular pertencente ao advogado, em deslocamento entre Brasília e São Roque, no interior paulista. A defesa de Fábio Luís classificou o voo como pontual e de caráter privado.
No caso atualmente investigado pela PF, Otto também aparece relacionado à lobista Roberta Luchsinger. Segundo os elementos divulgados da apuração, ela buscava intermediar um projeto de cannabis medicinal junto ao governo federal e teria mencionado Medeiros como um advogado com influência em Brasília.
Um dos pontos de maior repercussão está em mensagens atribuídas a Roberta nas quais ela afirma que Otto seria “sócio” do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral. A afirmação consta dos diálogos analisados pelos investigadores, mas foi negada pelo ministro.
Por meio de nota, Nunes Marques afirmou que nunca manteve sociedade empresarial com Otto Medeiros. O ministro confirmou, porém, que os dois são amigos e informou que se declara impedido de atuar em processos no STF nos quais o advogado esteja envolvido.
Otto Medeiros, por sua vez, não apresentou manifestação oficial sobre o conteúdo da investigação. Segundo informações divulgadas pela imprensa, ele negou a interlocutores possuir qualquer relação societária com Nunes Marques.
As reportagens também apontam que uma irmã e um sobrinho do ministro atuam, em determinados processos judiciais, em parceria com o escritório de Otto Medeiros. A existência dessa atuação profissional, contudo, não demonstra por si só participação de Nunes Marques na negociação investigada.
Até o momento, os diálogos divulgados pela imprensa não apontam atuação do ministro Kassio Nunes Marques no projeto de cannabis medicinal. A referência a uma suposta sociedade partiu de Roberta Luchsinger nas mensagens reunidas pela investigação e é contestada tanto pelo ministro quanto pelo advogado.
A apuração da Polícia Federal envolve a tentativa de intermediação de um projeto relacionado a medicamentos à base de cannabis junto ao Ministério da Saúde. Segundo os elementos divulgados da investigação, a negociação não chegou a ser concretizada.






