Abilio quer liberar publicidade de comerciantes durante campanha para pressionar Justiça Eleitoral
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que pretende permitir, durante o período eleitoral, que comerciantes utilizem formatos de publicidade semelhantes aos autorizados para candidatos. Segundo ele, a medida tem como objetivo provocar um aumento da poluição visual na cidade e, com isso, pressionar a Justiça Eleitoral a discutir as regras aplicadas à propaganda de campanha.
A declaração foi feita após o prefeito demonstrar insatisfação com peças de propaganda eleitoral instaladas em locais que considera inadequados. De acordo com Abilio, mesmo quando esse tipo de material contraria normas municipais de publicidade, a Prefeitura não teria autonomia para realizar a retirada durante o período eleitoral.
O prefeito argumenta que, nesse intervalo, a fiscalização das propagandas de candidatos é de responsabilidade da Justiça Eleitoral, com base na legislação eleitoral, e não das regras municipais que normalmente disciplinam a publicidade na capital.
“Os caras sujam a cidade. Os caras vão lá e fazem uma baderna na paisagem da nossa cidade. E a gente não pode fazer nada”, reclamou.
Entre os exemplos citados estão wind banners instalados na entrada do Parque Tia Nair e na lateral do Parque das Águas. Abilio afirmou que ficou irritado ao encontrar as estruturas nesses pontos, mas disse que não poderia ordenar a retirada dos materiais.
Ao ser questionado se a liberação de anúncios semelhantes para os comerciantes poderia ampliar ainda mais a poluição visual, o prefeito respondeu que essa seria justamente a intenção da proposta.
“A ideia é essa”, declarou.
Segundo Abilio, permitir a multiplicação das peças publicitárias serviria para demonstrar, na prática, os efeitos das atuais regras eleitorais. Ele afirmou que a cidade poderá ficar tomada por wind banners e outros tipos de propaganda durante o período de campanha.
“Vai ter um mundo aéreo de wind banner, um mundo aéreo de propaganda”, afirmou.
O prefeito também criticou o que considera uma diferença de tratamento entre candidatos e empresários. Enquanto determinadas formas de divulgação são permitidas aos concorrentes nas eleições, os comerciantes continuam submetidos às limitações estabelecidas pela legislação municipal.
Na avaliação de Abilio, seria incoerente a fiscalização retirar uma propaganda colocada por um empresário e, ao mesmo tempo, manter uma peça semelhante instalada por um candidato no mesmo local.
“Aí o comerciante vê o candidato fazendo e ele fala: ‘Vou fazer também’. Aí o fiscal vai ter que ir lá, tirar o do comerciante e deixar o do candidato? Não vou aceitar isso”, declarou.
O prefeito reforçou que pretende autorizar a presença de mais anúncios enquanto durar a campanha eleitoral, mesmo que isso provoque uma concentração maior de publicidade pela cidade.
“Eu vou autorizar todo mundo a encher ali. Vai colocar um monte. Aí o cara que coloca lá, ninguém nem vai olhar. Vai ter uma bagunça”, disse.
Conforme Abilio, a flexibilização para os comerciantes será válida somente durante o período eleitoral. Depois das eleições, voltam a prevalecer normalmente as regras municipais relacionadas à instalação de publicidade em Cuiabá.
A estratégia, segundo o prefeito, busca gerar uma reação diante do excesso de propaganda e estimular uma discussão sobre os critérios e limites estabelecidos para a publicidade eleitoral em espaços públicos da capital.






