Abilio critica reajuste do Bolsa Família e acusa governo de uso eleitoral às vésperas da votação
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que, na avaliação dele, a medida tem motivação eleitoral por ter sido adotada a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026.
Durante as declarações, Abilio classificou a iniciativa como de “claro viés eleitoral” e questionou o valor do aumento. O benefício mínimo, atualmente de R$ 600, passará para R$ 691, diferença de R$ 91.
Para o prefeito, caso o governo decidisse ampliar o programa neste momento, o valor deveria ser maior. Ele defendeu que o benefício chegasse a R$ 850 e argumentou que o acréscimo anunciado seria insuficiente para cobrir despesas básicas de uma família.
O reajuste de 15,04% foi oficializado pelo Decreto nº 13.120, publicado pelo governo federal na quinta-feira (17). Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o percentual corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. Com a mudança, além do piso de R$ 691, o benefício médio estimado deverá passar de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores serão incluídos na folha de outubro, com pagamentos a partir do dia 19.
Prefeito questiona atuação da Justiça Eleitoral
Abilio também direcionou críticas à Justiça Eleitoral. Segundo ele, haveria tratamento diferente caso uma medida semelhante tivesse sido adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em período próximo de uma eleição.
O prefeito afirmou que, em sua avaliação, uma iniciativa desse tipo durante um eventual governo Bolsonaro poderia provocar consequências eleitorais mais severas. A declaração representa a interpretação política de Abilio e não uma decisão ou posicionamento oficial da Justiça Eleitoral.
O reajuste foi anunciado a 17 dias do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. A votação está marcada para 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Abilio defende mudança nas regras do programa
Além de questionar o momento do reajuste, o prefeito de Cuiabá defendeu alterações nas regras do Bolsa Família para permitir que beneficiários permaneçam no programa mesmo depois de ingressarem no mercado de trabalho.
Na avaliação de Abilio, a obtenção de um emprego não deveria provocar automaticamente a perda do auxílio. Ao abordar o assunto, ele também mencionou o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e voltou a defender a elevação do piso do Bolsa Família para R$ 850.
Disputa presidencial entra nas declarações
Abilio também associou o reajuste à corrida pela Presidência da República. O prefeito declarou acreditar que Flávio Bolsonaro (PL) esteja em posição favorável na disputa e atribuiu a decisão do governo de elevar o Bolsa Família a uma tentativa da esquerda de modificar o cenário eleitoral.
A afirmação sobre a posição dos candidatos, porém, corresponde à avaliação política do prefeito. Pesquisas divulgadas em setembro apresentam resultados diferentes conforme o instituto e o cenário analisado. Levantamento Datafolha divulgado em 17 de setembro, por exemplo, apontou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em uma simulação de segundo turno, diferença dentro de uma disputa apertada. Outros institutos registraram empates técnicos ou variações entre os dois candidatos.
O governo federal, por sua vez, informa que o reajuste do Bolsa Família tem como objetivo recompor as perdas provocadas pela inflação desde a implantação do atual formato do programa, em março de 2023.







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