Galvan contesta Fávaro e questiona origem de recursos anunciados para obras em Mato Grosso
O candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) voltou a confrontar o senador Carlos Fávaro (PSD) sobre os investimentos destinados a obras de infraestrutura em Mato Grosso. Após o debate entre os candidatos ao Senado realizado nesta semana, Galvan colocou em dúvida a forma como o adversário tem apresentado a participação do Governo Federal em projetos executados no Estado.
Entre os exemplos mencionados pelo candidato do Avante está a BR-158. Galvan argumentou que, apesar de a rodovia contar com previsão de recursos da União, houve recentemente uma redução de R$ 100 milhões na dotação orçamentária destinada às obras.
A alteração consta da Portaria GM/MPO nº 397, de 10 de setembro de 2026, que abriu crédito suplementar de R$ 654,75 milhões para órgãos do Poder Executivo Federal utilizando, entre as fontes, a anulação de outras dotações. No caso de Mato Grosso, foram cancelados R$ 100 milhões previstos para a BR-158 e aproximadamente R$ 7,79 milhões relacionados à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO).
O cancelamento da dotação, no entanto, não representa necessariamente a interrupção das obras. Segundo informações divulgadas posteriormente por órgãos federais, a mudança envolve uma readequação orçamentária e os trabalhos na BR-158 permanecem previstos.
Galvan também questionou a participação federal na duplicação da BR-163. Para ele, os recursos obtidos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não deveriam ser apresentados da mesma maneira que investimentos feitos diretamente com verbas do Orçamento da União.
O candidato sustentou que se trata de uma operação financeira que terá pagamento vinculado à estrutura responsável pela concessão da rodovia e criticou Fávaro por atribuir ao Governo Federal a aplicação dos recursos como se fossem investimentos orçamentários diretos.
Dados divulgados pelo próprio BNDES mostram que o banco aprovou R$ 5,05 bilhões em apoio financeiro para a Concessionária Nova Rota do Oeste duplicar 444 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso. Desse total, R$ 4,575 bilhões foram estruturados por meio da subscrição de debêntures e R$ 475 milhões correspondem a financiamento pelo BNDES Finem. O projeto completo tem investimentos estimados em R$ 9 bilhões.
A administração da BR-163 em Mato Grosso passou ao controle estadual em 2023, quando foi formalizada a transferência do controle societário da concessionária para a MTPar, empresa ligada ao Governo de Mato Grosso. A solução foi intermediada pelo Ministério dos Transportes e contou com participação do Governo Federal.
Durante suas declarações após o debate, Galvan acusou Fávaro de apresentar informações que, na avaliação dele, não retratam corretamente a origem dos investimentos realizados no Estado.
Fávaro, por sua vez, sustenta que a atuação do Governo Federal foi fundamental para viabilizar a retomada das intervenções na BR-163. O senador tem destacado sua participação nas articulações envolvendo a renegociação da concessão e o financiamento das obras.
O embate entre os dois candidatos ocorre em meio à disputa sobre a forma de atribuir responsabilidades e participação dos governos estadual e federal nos investimentos de infraestrutura realizados em Mato Grosso.







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