Foragida apontada como líder de facção fez cinco plásticas para despistar polícia e é presa na Bolívia
Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, teria passado por pelo menos cinco procedimentos de cirurgia plástica, principalmente no rosto, numa tentativa de dificultar sua identificação pelas autoridades. A informação foi divulgada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
Ela foi presa na noite desta terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após permanecer foragida desde agosto de 2025.
Segundo a Polícia Civil, além das alterações na aparência, Angélica também utilizava um documento brasileiro falso com o objetivo de ocultar sua verdadeira identidade e evitar ser localizada.
Apontada pelas investigações como uma das lideranças do Comando Vermelho na região de Alta Floresta, em Mato Grosso, ela teria continuado coordenando atividades relacionadas ao tráfico de drogas mesmo enquanto permanecia escondida fora do Brasil.
De acordo com a investigação, Angélica mantinha um padrão elevado de vida na Bolívia. Ela residia em uma casa de alto padrão e utilizava veículos considerados de luxo.
A polícia apurou ainda que a investigada permaneceu em Santa Cruz de la Sierra desde que fugiu do Presídio Feminino Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em agosto de 2025.
Seis mandados de prisão estavam em aberto
No momento em que foi localizada, Angélica possuía seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026.
Conforme informações policiais, ela também acumula mais de 260 anos em condenações, relacionadas a diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
Mesmo fora do país, segundo as investigações, ela continuava mantendo contato com integrantes do grupo e exercendo influência sobre atividades criminosas desenvolvidas em Mato Grosso.
Operação atingiu núcleo familiar da investigada
Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, que teve como objetivo atingir pessoas próximas à investigada e que, de acordo com a apuração, integravam um núcleo responsável por fornecer apoio às atividades do grupo criminoso.
As investigações também apontaram que esse núcleo auxiliaria na movimentação e na lavagem de dinheiro proveniente das atividades ilegais.
Durante a operação, foram cumpridas 31 ordens judiciais.
Entre as medidas determinadas pela Justiça estavam quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis ordens de sequestro de veículos, quatro de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas.
Entre os investigados estavam o pai, a filha e o genro de Angélica. Segundo a Polícia Civil, familiares teriam participado da estrutura utilizada para apoiar o grupo criminoso e movimentar valores cuja origem seria ilícita.
Investigação identificou movimentação de mais de R$ 20 milhões
A apuração policial também identificou movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões durante um período aproximado de um ano e sete meses.
De acordo com os investigadores, os valores movimentados eram incompatíveis com os rendimentos declarados pelas pessoas investigadas.
A suspeita é de que empresas e outros empreendimentos tenham sido utilizados para inserir os recursos no sistema financeiro e conferir aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio das atividades criminosas.
Com a prisão realizada na Bolívia, as autoridades dão sequência aos procedimentos relacionados aos mandados existentes contra Angélica e às investigações sobre a estrutura criminosa atribuída ao grupo.







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