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Arborização ganha espaço em projetos de condomínios para amenizar calor em Cuiabá

Diante das altas temperaturas e dos períodos prolongados de estiagem registrados em Cuiabá, o planejamento de áreas verdes vem assumindo papel mais relevante em novos projetos residenciais. A proposta é utilizar a arborização não apenas como elemento paisagístico, mas também como estratégia para ampliar o sombreamento e melhorar o conforto térmico de calçadas, praças e espaços de convivência.

Estudos realizados na Capital reforçam a influência das árvores sobre o conforto em ambientes externos. Uma pesquisa publicada pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana constatou que áreas com sombreamento arbóreo apresentaram índices de conforto térmico superiores aos observados em locais expostos diretamente ao sol.

Essa preocupação passou a integrar com maior peso os projetos da Ginco Urbanismo, empresa responsável por condomínios horizontais e bairros planejados em Mato Grosso. Segundo a gerente de Projetos da companhia, Juliana Ippolito, experiências obtidas em empreendimentos já consolidados contribuíram para mudanças na escolha das espécies e na organização dos espaços comuns.

Em vez de selecionar a vegetação principalmente pela aparência ou floração, a empresa afirma priorizar árvores adaptadas às características climáticas da região, com copas maiores e capacidade de proporcionar mais sombra.

A estratégia inclui ainda o chamado paisagismo de quatro estações, no qual diferentes espécies são distribuídas com a intenção de manter presença de vegetação e cobertura verde ao longo do ano.

Para Juliana, a estética permanece entre os fatores considerados, mas o desempenho da vegetação diante do clima ganhou importância. Segundo ela, a escolha passou a observar com maior atenção características como o tamanho e a formação das copas.

Planejamento começa antes do plantio

A tentativa de diminuir a exposição ao calor não está restrita à escolha das árvores. Segundo a empresa, o desenho dos empreendimentos também considera aspectos como posição das ruas e quadras em relação à incidência solar, largura dos passeios, permeabilidade do solo e preservação da vegetação já existente.

Áreas de preservação permanente, praças, lagos e corredores verdes também são incorporados ao planejamento com a intenção de formar espaços conectados, em vez de manter a vegetação concentrada em pontos isolados.

Entre os empreendimentos mencionados pela companhia estão Belvedere e Florais Cuiabá. A própria Ginco identifica o Florais Cuiabá como seu primeiro grande empreendimento residencial, lançado no início dos anos 2000, enquanto o Belvedere também integra o conjunto de condomínios já entregues pela empresa na Capital.

No Florais Cuiabá, a empresa utiliza a vegetação desenvolvida ao longo de aproximadamente duas décadas como referência para avaliar os efeitos do amadurecimento das áreas verdes.

Empreendimentos mais recentes, como Ginco Zurique e Ginco Cidade Jardim, também estão entre os projetos atualmente apresentados pela urbanizadora em Cuiabá.

Segundo a empresa, outra estratégia é limitar a área ocupada pelas construções dentro dos lotes, permitindo que espaços verdes particulares complementem a vegetação existente nas áreas coletivas à medida que os bairros sejam ocupados.

Modelo internacional inspira soluções adaptadas a Mato Grosso

A Ginco afirma buscar referências em experiências urbanísticas internacionais, entre elas Singapura, cidade conhecida pela incorporação intensiva de vegetação ao ambiente construído.

A proposta, porém, não seria reproduzir os projetos diretamente, mas adaptar conceitos às condições de Cuiabá e do Cerrado mato-grossense.

De acordo com o diretor-presidente da empresa, Júlio Braz, o planejamento busca considerar não apenas a aparência dos empreendimentos no momento da entrega, mas também como esses espaços deverão se desenvolver ao longo das próximas décadas.

A preocupação encontra respaldo em pesquisas realizadas em Cuiabá. Estudos sobre diferentes tipos de cobertura urbana apontam melhores condições de conforto térmico em ambientes arborizados quando comparados a áreas mais expostas. Pesquisas mais recentes também indicam que quantidade, distribuição, porte das árvores e características do espaço urbano influenciam os resultados obtidos.

Sombra pode estimular utilização dos espaços coletivos

Para Juliana Ippolito, a existência de áreas sombreadas influencia diretamente a maneira como moradores utilizam praças, calçadas e outros ambientes externos. Na avaliação da gerente, espaços excessivamente expostos ao sol tendem a ser menos utilizados durante os períodos mais quentes do dia.

A estratégia defendida pela empresa acompanha uma discussão mais ampla sobre adaptação das cidades às altas temperaturas. Em uma cidade de clima quente como Cuiabá, o uso planejado da vegetação pode contribuir para reduzir a exposição direta à radiação solar e oferecer melhores condições para permanência de pedestres em ambientes externos.

Pesquisas desenvolvidas na Capital apontam justamente que o sombreamento arbóreo apresenta desempenho térmico superior ao de espaços totalmente expostos, reforçando a arborização como uma das ferramentas disponíveis no planejamento urbano para enfrentar o desconforto provocado pelo calor.

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