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Executor confesso de Zampieri recebe 21 anos e, segundo defesa, diz estar satisfeito com condenação

Condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão pela morte do advogado Roberto Zampieri, Antônio Gomes da Silva demonstrou satisfação com o resultado do julgamento, segundo seus advogados. A defesa relatou que o executor confesso afirmou estar “feliz por mandar um corrupto para o inferno” e ainda avalia se apresentará recurso contra a sentença.

O julgamento terminou na madrugada desta sexta-feira (2), após mais de 38 horas de trabalhos no Tribunal do Júri de Cuiabá. Além de Antônio, foram condenados Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, que recebeu 21 anos, 10 meses e 15 dias, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, sentenciado a 25 anos de reclusão. Os jurados reconheceram a responsabilidade dos três pelo homicídio qualificado de Zampieri.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Antônio teve a confissão considerada como circunstância atenuante na definição da pena. No caso de Caçadini, a redução levou em conta sua idade superior a 70 anos. Para Hedilerson, não foi reconhecida circunstância atenuante. Os três podem recorrer da decisão.

Antônio pediu aos jurados que o condenassem

Durante seu interrogatório, Antônio admitiu ter executado Roberto Zampieri. Em plenário, chegou a pedir aos jurados que votassem por sua condenação e declarou que deveria ser punido. Na ocasião, também se referiu à vítima como alguém que teria enviado “para o inferno”, associando o crime ao que apresentou como uma atuação pessoal contra a corrupção.

Após a sentença, os advogados Nilton Ribeiro e Neyman Monteiro afirmaram que Antônio aparentava estar satisfeito com a pena. Segundo a defesa, ele pediu uma reunião para segunda-feira a fim de conversar sobre a conveniência ou não de apresentar recurso. A decisão, portanto, ainda não estava definida.

A estratégia defensiva adotada durante o júri tentou sustentar que Antônio deveria ser considerado inimputável em razão de suposta insanidade mental. Os advogados também apresentaram aos jurados a versão de que ele teria desenvolvido uma postura de “justiceiro” e agido motivado pelo que considerava um combate à corrupção. Os argumentos não convenceram o Conselho de Sentença.

Defesas de Caçadini e Hedilerson anunciam recursos

Diferentemente da situação de Antônio, as defesas de Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa confirmaram que pretendem recorrer das condenações.

Os advogados de Caçadini mantêm a tese de inocência e devem buscar a revisão do resultado nas instâncias superiores. A defesa também informou que pretende discutir questões relacionadas ao cumprimento da pena e à permanência do coronel em Minas Gerais.

Durante o julgamento, Caçadini negou participação no assassinato. Sua defesa sustentou que contatos e movimentações financeiras apontados pela acusação estariam relacionados a relações pessoais e comerciais sem vínculo com o homicídio. A versão foi rejeitada pelos jurados.

A defesa de Hedilerson também anunciou recurso e continua sustentando a inocência do condenado. Durante o júri, ele reconheceu ser proprietário da arma utilizada no homicídio, mas negou tê-la fornecido para a execução. Sua versão foi a de que Antônio teria retirado a pistola do quarto de hotel sem autorização. Os jurados não acolheram a tese.

Júri reconheceu homicídio qualificado

O Conselho de Sentença condenou os três réus por homicídio qualificado. Segundo o TJMT, foram reconhecidas as circunstâncias de motivo torpe, utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.

Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Ele estava próximo ao escritório onde trabalhava quando foi surpreendido pelo atirador. A investigação apontou Antônio como autor dos disparos.

O Ministério Público atribuiu a Hedilerson participação na execução do plano e o fornecimento da arma utilizada no homicídio. Caçadini, por sua vez, foi acusado de participar da articulação criminosa. O Conselho de Sentença acolheu a responsabilização criminal dos três.

Supostos mandantes respondem separadamente

Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, apontados pela acusação como integrantes do núcleo mandante do assassinato, respondem em processo separado. Entre as hipóteses investigadas para a motivação do crime está uma disputa judicial relacionada à Fazenda Lagoa Azul, propriedade rural avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.

Essas acusações contra o casal ainda precisam ser analisadas definitivamente pela Justiça, não devendo ser tratadas como condenação.

Morte de Zampieri teve outros desdobramentos investigativos

A investigação do assassinato também levou as autoridades a examinar informações armazenadas no celular de Roberto Zampieri. O conteúdo do aparelho passou a integrar apurações relacionadas a suspeitas de negociação de decisões judiciais e deu origem a outros desdobramentos investigativos, entre eles a Operação Sisamnes.

Essas investigações são distintas do julgamento encerrado nesta sexta-feira. Eventuais suspeitas envolvendo magistrados, servidores, advogados ou outros investigados devem ser tratadas de acordo com a situação processual de cada pessoa, já que medidas como afastamento, busca, investigação ou indiciamento não equivalem, por si só, a condenação criminal.

Com o encerramento do Tribunal do Júri, Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas permanecem condenados em primeira instância, enquanto as defesas ainda podem levar questionamentos sobre o julgamento e as penas às instâncias superiores.

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