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Mato Grosso lidera ranking de desigualdade: 1% concentra 30% da renda do estado

Estudo revela que super-ricos em Mato Grosso aumentaram renda em mais de 100% desde 2017, enquanto maioria luta para recuperar perdas pós-pandemia.

Mato Grosso ocupa uma posição nada positiva no cenário nacional: é o estado com maior concentração de renda do país.

De acordo com levantamento dos economistas Sérgio Gobetti e Priscila Kaiser Monteiro, em parceria com o cientista de dados Frederico Nascimento Dutra, 30,5% de toda a renda disponível em Mato Grosso está nas mãos do 1% mais rico.

A desigualdade se acentua ainda mais no topo da pirâmide: o 0,1% da população concentra 17,4% de toda a renda do estado. Trata-se de um grupo restrito, que caberia em alguns bairros de Cuiabá, mas detém quase um quinto da riqueza mato-grossense.

Enquanto a maioria da população ainda luta para recuperar a renda perdida após a pandemia, os super-ricos tiveram ganhos excepcionais. Desde 2017, a elite do estado viu sua renda aumentar em 108,5% em termos reais.

O levantamento aponta que essa concentração é ainda maior do que a média nacional. No Brasil, o 1% mais rico detém 24,3% da renda, sete pontos percentuais a menos do que em Mato Grosso.

O estudo destaca que, entre 2017 e 2023, a renda do 1% mais rico cresceu 29,7% em termos reais, com média anual de 4,4%. Já entre o 0,1% mais rico, o avanço foi de 48,8% (média de 6,9% ao ano). No caso do 0,01% mais rico, a alta foi de 58,1%, ou 7,9% ao ano.

Os pesquisadores apontam que esse fenômeno está diretamente ligado a lucros e dividendos, reforçando a necessidade de uma reforma tributária mais justa. A proposta de tributação mínima sobre rendas acima de R$ 50 mil mensais é vista apenas como um passo inicial para enfrentar o problema.