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Ativista diz que lei é apenas “formalidade” e movimento LGBTQIAPN+ manterá uso de linguagem neutra


Clovis Arantes afirma que proibição vale apenas para documentos oficiais e não muda a atuação dos movimentos sociais.


O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Cuiabá, Clovis Arantes, avaliou que a lei federal que proíbe o uso de linguagem neutra em textos da administração pública tem efeito apenas administrativo e não interfere no trabalho dos movimentos sociais.

Em entrevista ao Gazeta Digital, o ativista afirmou que a nova legislação não atinge o uso cotidiano dos pronomes e expressões utilizadas pela comunidade LGBTQIAPN+. “A proibição não é para o uso diário da população. Ela se restringe aos documentos oficiais. É uma questão interna de governo e não uma decisão política voltada para o diálogo com as nossas pautas”, pontuou.

A lei, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), determina que órgãos públicos de todos os entes federativos não utilizem “novas flexões de gênero e número” em documentos oficiais. A norma foi publicada na segunda-feira (17) no Diário Oficial da União.

Para Arantes, a decisão poderia ter sido tomada sem transformar o tema em disputa política. “O governo errou. Poderia ter resolvido isso internamente, com uma simples comunicação. Não precisava transformar em algo dessa proporção”, avaliou.

O ativista reforçou que a comunidade seguirá usando a linguagem neutra e expressões inclusivas. “Nós nos pautamos pelo movimento social. Acabamos de sair da quarta conferência nacional de políticas LGBT, onde o tema foi amplamente debatido. Não é o governo que pauta nossa atuação”, disse.

Segundo ele, documentos da conferência — que reuniu cerca de 2 mil participantes — utilizam pronomes neutros e linguagem inclusiva. “A inclusão de todas as identidades é essencial. Estamos falando de direitos humanos”, afirmou.

Repercussão entre conservadores

Nas redes sociais, o prefeito Abilio Brunini (PL) comemorou a proibição, reforçando que a linguagem neutra não integra o vocabulário oficial da língua portuguesa. O gestor já havia protagonizado um episódio de repressão a uma palestrante que utilizou pronomes neutros em evento municipal.

Arantes criticou a politização do tema por setores conservadores. “Quando vemos o prefeito comemorando, fica claro que está mais interessado em palco e likes do que em políticas públicas. A cidade está abandonada, a saúde está abandonada, e ele comemora algo que nem diz respeito a ele”, declarou.