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Fávaro: “Mineração é fundamental para garantir o sucesso agrícola do Brasil”

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Fávaro (PSD), destacou a importância estratégica da mineração para o agronegócio brasileiro durante a Expominério 2025, realizada nesta sexta-feira (28), em Cuiabá. Ao percorrer a feira e participar do Podcast Mineral, ele reforçou que a produção de alimentos no país só alcançou o atual patamar graças ao uso direto de insumos minerais.

Segundo Fávaro, a população ainda não compreende totalmente a ligação entre mineração e agricultura — relação que, para ele, é determinante para o Brasil ter se tornado potência mundial na produção de grãos.

“O Cerrado brasileiro só se tornou uma potência agrícola porque a pesquisa identificou como corrigir o solo. E isso só foi possível graças à mineração”, afirmou.

Mineração que virou comida: calcário, fósforo e potássio

O ministro explicou que, até poucas décadas atrás, grande parte dos solos do Cerrado era considerada inviável para produção agrícola. A acidez elevada e a presença de alumínio tóxico impediam o desenvolvimento das plantas.

A virada começou com o uso científico de minerais como:

  • Calcário – para corrigir a acidez;
  • Fosfatos – para estruturar o solo e nutrir plantas;
  • Potássio – essencial para equilíbrio hídrico e produtividade.

Estados como Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí e Tocantins só alcançaram alta produtividade após décadas de correção profunda do solo.

“Quando você tem um solo corrigido e estruturado até 1,40 metro de profundidade, mesmo com estação seca rigorosa, a planta se mantém viva e produtiva. Isso é mineração na veia”, reforçou Fávaro.

Imagem pública e gargalos do setor

O ministro criticou a generalização que coloca toda a mineração na mesma caixa de irregularidades e crimes ambientais. Para ele, assim como no agronegócio, a minoria irregular prejudica a reputação de milhares de empreendedores sérios.

“A maioria quer trabalhar certo e dentro das regras. Esse setor gera emprego, renda, tecnologia e precisa ser reconhecido como estratégico”, disse.

Fávaro também abordou um dos maiores entraves do setor mineral: o licenciamento. Ele citou processos que podem levar mais de 10 anos para aprovação.

“Um empreendedor não pode esperar uma década para começar a produzir. Precisamos de processos mais ágeis, com segurança jurídica, mas sem burocracia que inviabilize negócios”, defendeu.

Tecnologia, IA e modelos de Mato Grosso

O ministro sustentou que o uso de ferramentas digitais e inteligência artificial pode acelerar a análise de processos e desburocratizar o licenciamento. Ele afirmou que soluções já adotadas em Mato Grosso podem ser replicadas nacionalmente.

Risco externo: Brasil importa 92% do potássio que consome

Ao falar sobre segurança alimentar, Fávaro foi direto: a dependência externa é um risco real.

Atualmente, o Brasil importa:

  • 92% do potássio utilizado na agricultura;
  • 50% do fósforo;
  • grande parte dos fertilizantes nitrogenados.

“Sem calcário, sem fosfato, sem potássio, não existe agricultura. É simples assim”, declarou.

O ministro afirmou que o país investe em alternativas como remineralizadores de solo e busca novas fontes de exploração mineral.

Expominério: vitrine de um setor essencial

Ao encerrar a visita, Fávaro elogiou a feira e disse que a Expominério cumpre papel essencial ao mostrar para o público urbano e rural a dimensão real da mineração brasileira.

“A Expominério mostra que a mineração brasileira é moderna, inovadora e necessária. Quem vê de perto percebe que esse setor é técnico, responsável e essencial para o desenvolvimento”, afir