Mauro cita exemplo de El Salvador para acabar com facções: “Entrou um maluco e tornou o país mais seguro”
O governador Mauro Mendes (União Brasil) voltou a defender medidas mais rígidas no enfrentamento às facções criminosas no Brasil.
Em discurso nesta quinta-feira (27), ele citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conhecido por políticas de encarceramento em massa e endurecimento do sistema penal, como exemplo de postura “corajosa” contra o crime organizado.
Segundo Mauro, o país precisa de líderes dispostos a “pesar a mão” e adotar medidas duras, assim como o governo salvadorenho. Ele afirmou que as ações promovidas por Bukele reduziram drasticamente os índices de violência e deveriam servir de referência para o Brasil.
“Bukele, no El Salvador, tinha números altos, um país violento dominado por facções. Entrou um maluco lá, interviu, transformou El Salvador no país mais seguro da América e do planeta. As pessoas precisam voltar a ter medo da mão dura e da pena. No dia que fizermos isso, teremos um país seguro”, disse o governador.
A declaração ocorre um dia após Mauro afirmar que a mera filiação a facções não constitui crime se não houver prática criminosa, comentário que gerou controvérsia após um estudo apontar a presença de organizações em 65% dos municípios de Mato Grosso.
O governador reforçou que o Estado tem atuado dentro dos limites da legislação, mas reconheceu que o modelo de atuação das facções se espalhou pelo país como uma “franquia”. Mauro citou ainda iniciativas para prevenir o recrutamento de jovens e voltou a reclamar da legislação atual, que, segundo ele, permite que criminosos retornem rapidamente às ruas após audiências de custódia.
As falas também contrastam com dados internacionais. Embora El Salvador tenha reduzido sua taxa de homicídios após as ações de Bukele, o país não figura entre os mais seguros do mundo. No Índice Global da Paz, que avalia 163 nações, a Islândia ocupa o primeiro lugar. El Salvador aparece na posição 104, enquanto o Brasil está na 130.
Bukele assumiu a presidência em 2019, adotou políticas de extrema rigidez e manteve o país sob estado de exceção desde 2022. As medidas permitiram mais de 70 mil prisões e ampliaram o controle do governo sobre instituições como o Judiciário. Críticos apontam retrocessos democráticos, mas apoiadores defendem a eficiência no combate ao crime organizado.







