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Maioria da bancada de MT é contra fim da escala 6×1; PEC divide deputados

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e descansa apenas um — enfrenta resistência da maioria da bancada federal de Mato Grosso. Pelo menos quatro dos oito deputados do Estado já se manifestaram contra a medida, que está em análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.

As propostas em debate são a PEC 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton, e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes. Ambas tramitam apensadas e tratam da redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas.

Caso a admissibilidade seja aprovada na CCJ, o texto seguirá para uma comissão especial e, posteriormente, para votação em dois turnos no plenário da Câmara.


Como votam os deputados de Mato Grosso

Entre os membros titulares da CCJ estão três representantes de Mato Grosso:

  • Gisela Simona (União) – Favorável
    A parlamentar assinou a PEC e defende o fim da escala 6×1, mas ressalta que pretende propor ajustes no texto. Segundo ela, é preciso reduzir a sobrecarga do trabalhador sem impactar negativamente o preço final dos produtos.
  • José Medeiros (PL) – Contrário
    Medeiros afirma que a proposta pode gerar desemprego ou aumento de preços. “Isso vai arrebentar no cara que precisa mais. Pode diminuir empregos ou encarecer os produtos”, declarou.
  • Juarez Costa (MDB) – Não definiu posição
    O parlamentar não foi localizado, mas aparece entre os indecisos.

Fora da comissão, outros deputados também já se manifestaram:

  • Emanuelzinho (MDB) – Favorável
    Foi o primeiro da bancada a assinar a PEC. Ele argumenta que toda conquista trabalhista enfrentou resistência inicial. “Foi assim na Constituição de 88, foi assim nas férias remuneradas. São avanços importantes”, afirmou.
  • Nelson Barbudo (PL) – Contrário
    Classificou a proposta como “aberração” e afirmou que não há país onde o empregador pague “três dias para o funcionário ficar à toa”.
  • Coronel Assis (União) – Contrário ao texto atual
    Defende debate técnico mais aprofundado antes de qualquer aprovação.
  • Rodrigo da Zaeli (PL) – Contrário
    Avalia que o trabalhador pode buscar um segundo emprego para complementar renda e que a medida pode prejudicar a economia.
  • Coronel Fernanda (PL) – Indefinida
    A parlamentar afirmou que só irá se posicionar após análise final do texto para evitar interpretações equivocadas.

Debate nacional

A proposta reacende um debate histórico sobre jornada de trabalho no Brasil. Defensores apontam que a redução pode melhorar a qualidade de vida, aumentar a produtividade e alinhar o país a tendências internacionais de flexibilização da jornada. Já críticos argumentam que a medida pode elevar custos operacionais, impactar pequenas e médias empresas e gerar reflexos na inflação.

No cenário atual, a tendência é que a bancada mato-grossense tenha maioria contrária ao texto, caso a proposta avance para votação em plenário.

O tema deve ganhar ainda mais força nos próximos meses, especialmente com o avanço do calendário eleitoral e o impacto direto da pauta sobre trabalhadores e empregadores.