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Ponte interditada há mais de 6 meses segue sem obra mesmo após licitação milionária e revolta moradores em Cuiabá

Travessia entre Itamarati, Planalto e região do Belvedere continua bloqueada desde agosto de 2025; população enfrenta desvio, prejuízo e cobra ação efetiva do poder público.

Mesmo após validação de projeto e licitação milionária anunciada pelo Governo do Estado, a ponte sobre o córrego do Moinho, entre os bairros Itamarati, Planalto e a região dos condomínios Belvedere, segue interditada e sem qualquer movimentação de obra no local. O bloqueio, que começou em agosto de 2025 por problemas estruturais, continua afetando diretamente a rotina de moradores que dependem da passagem para trabalhar, levar filhos à escola e acessar o centro de Cuiabá.

A situação virou símbolo de abandono e também de um empurra-empurra entre esferas do poder público, enquanto a população segue pagando a conta com mais tempo no trânsito, aumento nos custos de deslocamento e insegurança diária.

Mesmo interditada, a ponte ainda é alvo de tentativas arriscadas de travessia. Moradores relatam que, diante da falta de solução, alguns condutores insistem em passar pelo local e já houve casos de veículos presos nas barricadas colocadas para impedir o acesso.

Quem sente os efeitos do problema na prática é a moradora Janayna Araujo, que precisou mudar completamente a rotina por causa da interdição. Ela explica que usava o trecho para ir e voltar do trabalho, mas agora é obrigada a utilizar um desvio por dentro do bairro Planalto, passando por via não pavimentada e ainda mais precária no período chuvoso.

“Antes eu utilizava esse trecho para ir e vir ao trabalho. Agora tenho que pegar o desvio por uma via não pavimentada, que nesse tempo de chuva não está em boas condições. Se o acesso estivesse livre, me ajudaria até na locomoção mais rápida para buscar meu filho na creche”, relatou.

A interdição da ponte não representa apenas um problema viário. Ela afeta diretamente a vida de trabalhadores, mães, estudantes e moradores de toda a região, que passaram a conviver com atrasos, lama, aumento do combustível e dificuldade de mobilidade.

Em novembro do ano passado, os vereadores Alex Rodrigues e Dídimo Vovô, ligados à comissão da área de obras da camara municipal de Cuiabá, estiveram no local em busca de encaminhamentos e prometeram cobrar solução para o problema. Até agora, segundo moradores da região, nenhuma resposta concreta foi apresentada e nenhuma medida definitiva saiu do papel.

Já em fevereiro deste ano, o Governo do Estado validou o projeto para construção de uma nova ponte, estimada em cerca de R$ 3,8 milhões. A licitação chegou a ser anunciada, mas, passadas semanas da divulgação, não há máquinas, equipes ou qualquer sinal visível de início das obras.

Para os moradores, o anúncio da nova estrutura ainda não se transformou em alívio. Na prática, o que existe é uma ponte interditada, um trajeto comprometido e uma população cansada de esperar.

A cobrança agora é por mais do que promessa: moradores querem prazo, cronograma e presença real do poder público em uma demanda que já deixou de ser apenas uma obra de infraestrutura e passou a ser um problema social, econômico e urbano.

A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Cuiabá e do Governo de Mato Grosso sobre o andamento do processo, prazo de execução e medidas emergenciais para reduzir os impactos causados à população.