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Mesmo com aval de Bolsonaro, Abilio diz que não pedirá votos para Wellington Fagundes

Prefeito de Cuiabá afirma que respeitará decisão do PL, mas evita se comprometer com campanha do senador ao governo de Mato Grosso em 2026.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que não pretende pedir votos para o senador Wellington Fagundes (PL), mesmo após a confirmação de que o parlamentar será o candidato do partido ao Governo de Mato Grosso com aval da cúpula nacional e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A declaração expõe um desconforto interno dentro da sigla no Estado e indica que o prefeito deve adotar uma postura de neutralidade na disputa estadual, apesar de permanecer alinhado ao projeto nacional do partido.

Segundo Abilio, sua prioridade eleitoral será trabalhar pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República e pelo deputado José Medeiros na disputa ao Senado.

“Eu vou trabalhar em favor do PL nessa eleição. Como todo mundo sabe, eu vou trabalhar em favor do pré-candidato Flávio Bolsonaro [para presidente], do José Medeiros [ao Senado]. As outras questões a gente vai discutir durante o pleito”, afirmou.

Apesar da resistência em apoiar Fagundes, Abilio disse que não pretende agir contra o partido nem fazer campanha negativa contra o senador.

O prefeito também destacou que não atacará o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), possível adversário de Fagundes na disputa pelo Palácio Paiaguás, citando amizade pessoal de longa data.

“Eu não vou falar mal do Pivetta, não vou atacar o Pivetta, não vou fazer campanha contra. Isso eu não posso fazer. Agora eu vou respeitar o PL e a decisão do partido”, declarou.

Outro ponto de atrito citado por Abilio é a possibilidade de aproximação com o MDB, partido da deputada estadual Janaina Riva, que é nora de Wellington Fagundes.

O prefeito reforçou que não pretende dividir palanque com a legenda.

“Eu não me aproximo do MDB. Eu fui candidato contra o MDB em 2020, enfrentei o MDB em Brasília em 2023 e em 2024. Eu e o MDB não estaremos no mesmo palanque”, afirmou.

Nos bastidores, Abilio já havia articulado no ano passado uma tentativa de impedir a candidatura de Wellington Fagundes ao governo, defendendo que o PL apoiasse o vice-governador Otaviano Pivetta.

A direção nacional do partido, porém, decidiu manter o nome de Fagundes na disputa estadual, com apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A posição do prefeito de Cuiabá revela um cenário de tensão interna no PL mato-grossense, que pode influenciar diretamente a formação de alianças e o comportamento das lideranças do partido nas eleições de 2026.