PF aponta atuação do Comando Vermelho em garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé

A Polícia Federal investiga a atuação do Comando Vermelho em áreas de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso. A estrutura foi mostrada em reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, que acompanhou uma operação federal contra a exploração clandestina de ouro na região.
Segundo os investigadores, a facção ampliou sua presença no território e passou a atuar em áreas de mineração ilegal. A PF apura se o ouro extraído de forma clandestina servia para financiar outras atividades criminosas, como tráfico de drogas e compra de armas.
Reportagem mostrou estrutura usada na extração ilegal de ouro
A reportagem mostrou que o garimpo ilegal contava com uma estrutura organizada em meio à floresta. No local, agentes encontraram túneis, equipamentos de perfuração, geradores de energia, fiação elétrica, tubulações, alojamentos improvisados e depósitos de alimentos.
De acordo com a PF, a estrutura indicava investimento constante para manter a extração de ouro, mesmo após ações das forças de segurança. Durante a vistoria, os agentes também localizaram máquinas e materiais usados na perfuração das rochas.
Túneis tinham energia, equipamentos e áreas de apoio
Os túneis encontrados na área tinham largura suficiente para permitir a circulação de pessoas em alguns trechos. As galerias seguiam por diferentes direções e davam acesso a poços profundos, segundo os investigadores.
Além disso, a estrutura tinha iluminação e abastecimento de energia por geradores. Os equipamentos serviam tanto para a circulação dentro das minas quanto para o funcionamento de máquinas usadas na extração ilegal.
Investigadores apontam conhecimento técnico na escavação
Agentes que atuam na operação afirmam que a construção dos túneis exigia conhecimento técnico. Nas paredes das galerias, eles encontraram materiais associados a detonações e perfurações, como explosivos e equipamentos utilizados para abrir caminho nas rochas.
Para a PF, esses elementos indicam que o garimpo ilegal não funcionava de forma improvisada, mas com organização e logística para manter a atividade em operação.
Operação federal destruiu túneis e apreendeu equipamentos
A Polícia Federal também apura o uso dos túneis e galerias como esconderijo para armas, munições e ouro extraído ilegalmente. Segundo os investigadores, essa estratégia dificultava a localização dos materiais durante as operações.
Após mapear parte da área, as forças de segurança destruíram túneis encontrados no território. A medida teve como objetivo impedir a reutilização das estruturas e reduzir a capacidade logística do garimpo ilegal.
Terra Indígena Sararé sofre pressão do garimpo ilegal
A Terra Indígena Sararé pertence ao povo Nambikwara e fica em uma área de cerca de 67 mil hectares, no oeste de Mato Grosso. Segundo autoridades, o território registrou mais de mil pontos de garimpo ilegal.
No Garimpo Cururu, um dos principais pontos de exploração clandestina da região, os agentes encontraram uma estrutura comparada a um pequeno vilarejo. O local tinha áreas de comércio, bares e pontos de apoio para os trabalhadores.
Governo de MT diz que prepara base de apoio na região
O governo de Mato Grosso informou que constrói uma base policial em um dos acessos à Terra Indígena Sararé. Segundo o Estado, a estrutura deve apoiar a integração entre forças estaduais e federais que atuam na região.
As autoridades afirmam que a operação continuará com o objetivo de retirar invasores, desmontar a infraestrutura do garimpo ilegal e reduzir os danos ambientais provocados pela exploração clandestina de ouro.






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