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Desemprego entre mulheres jovens chega a 31,6% em Mato Grosso e supera em mais de três vezes taxa masculina

A diferença entre homens e mulheres jovens no mercado de trabalho chamou atenção em Mato Grosso em 2025. Entre as mulheres de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego chegou a 31,6%, enquanto entre os homens da mesma faixa etária o índice ficou em 9,1%.

Os números integram o IMDS – Eleições 2026: Indicadores Estaduais, plataforma do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) que reúne informações sobre diferentes áreas sociais e econômicas das 27 unidades da Federação.

Na comparação entre 2024 e 2025, a distância entre os dois grupos aumentou. Entre as mulheres jovens, o índice passou de 25,9% para 31,6%, crescimento de 5,7 pontos percentuais. Para os homens, por outro lado, os dados apontam redução de 4,1 pontos percentuais no mesmo período.

Considerando homens e mulheres de 18 a 24 anos, a taxa registrada em Mato Grosso ficou em 20,74% em 2025. A série histórica apresentada pelo levantamento indica redução em relação a 2020, embora os números divulgados na reportagem de origem para aquele ano apresentem uma divergência que impede afirmar com segurança a dimensão exata dessa queda.

Os dados também mostram que a diferença entre os sexos não se restringe ao último ano. Ao longo da série apresentada, os índices entre os homens jovens permaneceram geralmente na faixa de 9% a 17%. Entre as mulheres, ficaram em patamares mais elevados durante grande parte do período, próximos de 30% a 35%. Em 2024, a taxa feminina chegou ao menor nível mostrado na série antes de voltar a crescer em 2025.

O levantamento do Imds reúne ainda outros indicadores relacionados à inserção dos jovens no mercado de trabalho, entre eles informações sobre pessoas que não trabalham nem estudam. Esse grupo, frequentemente chamado de “nem-nem”, não deve ser confundido diretamente com a população desempregada, já que os conceitos estatísticos não são equivalentes.

Ouvida pelo HiperNotícias, a economista e mestranda pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Laysa Avalos atribuiu a diferença observada entre homens e mulheres a uma combinação de fatores estruturais, históricos e culturais.

Segundo a economista, mesmo apresentando níveis de escolaridade elevados, muitas mulheres enfrentam dificuldades adicionais para entrar e permanecer no mercado de trabalho devido à concentração das responsabilidades domésticas e dos cuidados com familiares.

Avalos afirmou ainda que a existência de oportunidades de emprego no estado não significa que todas as mulheres tenham as mesmas condições para ocupá-las. De acordo com sua análise, responsabilidades dentro de casa e situações como o casamento em idade precoce podem interferir na trajetória profissional de parte das jovens.

Outro aspecto citado por ela foi a influência das redes sociais sobre as expectativas de trabalho e renda das novas gerações. Na avaliação da economista, conteúdos que apresentam a possibilidade de ganhos rápidos com produção digital ou apostas virtuais podem criar expectativas pouco realistas sobre formas de obtenção de renda. Trata-se, porém, de uma interpretação apresentada pela especialista, e não de uma conclusão estabelecida pelo levantamento do Imds.

Para reduzir as diferenças de inserção no mercado de trabalho, Avalos defende políticas públicas permanentes e coordenadas entre os governos federal, estadual e municipais. Entre as iniciativas apontadas por ela estão a ampliação da oferta de creches e medidas de apoio às pessoas que concentram responsabilidades de cuidado dentro das famílias.

A economista também considera necessária uma mudança na divisão das tarefas domésticas e de cuidado, de maneira que essas responsabilidades não recaiam predominantemente sobre as mulheres e interfiram em suas possibilidades de participação no mercado de trabalho.

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