Deputadas cobram abertura da CPI do Feminicídio na Assembleia Legislativa
Sheila Klener, Janaina Riva e Edna Sampaio defendem investigação para propor soluções e apontam falhas do Estado no combate à violência contra mulheres.
A deputada estadual Sheila Klener (PSDB) afirmou, nesta terça-feira (26), que a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Feminicídio é urgente diante do cenário de violência contra mulheres em Mato Grosso. “Não estamos aqui para atacar, queremos ajudar a buscar solução”, declarou a parlamentar, ao lado das deputadas Janaina Riva (MDB) e Edna Sampaio (PT), em coletiva à imprensa.
A audiência para abertura da CPI estava prevista para ocorrer nesta tarde, com a expectativa de 11 assinaturas de apoio. No entanto, quatro parlamentares retiraram suas adesões, o que, segundo as deputadas, teria ocorrido por articulação política do governo estadual para evitar desgaste diante de possíveis críticas da oposição.
Sheila destacou que Mato Grosso lidera os índices de feminicídio no país e defendeu o levantamento de um perfil dos agressores. “Estamos aqui para ser a voz destas mulheres, que representam 56% da população mato-grossense”, afirmou.
A deputada Edna Sampaio acrescentou que a omissão do Estado agrava a violência de gênero. Para ela, o controle do poder público sobre os corpos femininos contrasta com a ausência de proteção efetiva. “Um bom índice para avaliar as políticas públicas é o feminicídio. Se os casos aumentam, significa que não estão funcionando”, disse.
Já Janaina Riva chamou atenção para a redução do orçamento destinado às ações de enfrentamento à violência contra a mulher, que passou de R$ 500 mil para outras finalidades. “Como enfrentar a violência sem orçamento, sem estrutura e sem policiais suficientes?”, questionou.
Segundo a emedebista, a CPI não visa julgar casos isolados, mas avaliar o sistema de proteção e propor melhorias. “Temos relatos de mulheres que não foram acolhidas e até de vítimas que foram mandadas embora de delegacias. A rede não está funcionando como deveria”, reforçou.
Para que a CPI seja instaurada, são necessárias oito assinaturas, equivalentes a um terço do total de deputados da Assembleia Legislativa.







