Dídimo Vovô cobra Abílio por não executar emendas impositivas e critica falta de transparência: “Nem 10% foi pago”
Vereador denuncia que recursos de deputados e senadores estão parados na Prefeitura, apesar de já estarem na conta desde abril
O vereador Dídimo Vovô (PSB) subiu o tom, nesta quinta-feira (4), ao denunciar no plenário da Câmara Municipal a falta de execução das emendas impositivas e de recursos federais e estaduais destinados a obras em Cuiabá. Segundo ele, menos de 10% das emendas foram pagas, mesmo com o dinheiro já disponível nas contas da Prefeitura.
“Estamos finalizando o ano e desde janeiro esperamos a execução das emendas. Deputados estaduais, federais e senadores enviaram recursos. Está na conta da Prefeitura. Mas na ponta, nas comunidades, não chegou nada. A população pergunta e a Prefeitura não explica”, afirmou.
O vereador citou casos específicos de recursos parados:
- R$ 1 milhão para a Escola do Renascer (Rio dos Peixes)
- R$ 400 mil para o Projeto Amor
- R$ 2 milhões para a reforma da Policlínica do Pedra 90
- Emendas próprias: R$ 1 milhão + R$ 200 mil em equipamentos para a mesma policlínica
- Recursos diversos de senadores que, segundo ele, “caíram na conta, mas não viraram obra”.
Dídimo Vovô disse ainda que a falta de execução tem provocado resistência de parlamentares federais e estaduais em enviar novas emendas para Cuiabá.
“Muitos senadores e deputados não querem mandar nada para Cuiabá porque o prefeito não executa. Como confiar? O dinheiro está parado há oito meses”, declarou.
Prefeitura não responde e vereadores ficam no escuro
Segundo o vereador, nem a liderança do governo na Câmara consegue explicar o que está acontecendo dentro do Executivo.
“Perguntamos e não recebemos respostas. Tem decisão, tem recurso, mas não tem licitação, não tem obra, não tem nada. É conversa fiada dizer que está andando”, criticou.
Ele destacou ainda que o abrigo Bom Jesus teria recebido documento da própria Prefeitura informando que as emendas não estavam sendo pagas.
Judicialização e pedido de transparência
Sem avanços, Dídimo entrou com mandado de segurança para obrigar a Prefeitura a pagar as emendas impositivas — que são previstas em lei e deveriam ser obrigatoriamente executadas.
Os vereadores também solicitaram acesso ao sistema Safira, que registra pagamentos e movimentações financeiras do Executivo. Ele afirma que pediu login e senha há mais de um mês, sem retorno.
“Sem transparência junto ao Parlamento, fica muito difícil manter a credibilidade do prefeito. Espero que nesta semana tenhamos acesso ao sistema para mostrar ao povo onde o dinheiro está sendo gasto”, disse.
Motivações políticas?
Questionado se a demora estaria relacionada ao fato de ele ser oposição, Dídimo foi direto:
“Não é questão política. A lei vale para todos. São R$ 78 milhões aprovados na LOA para as emendas dos vereadores. O prefeito não está cumprindo.”







