Mato Grosso registra pior cenário de feminicídios desde 2020
Estado já soma 36 vítimas em 2025, aumento de 38% em relação ao ano passado; crimes ocorrem majoritariamente em casa e com uso de arma branca.
Mato Grosso enfrenta em 2025 o pior cenário de feminicídios desde 2020, com 36 mulheres assassinadas até agosto, o que representa um aumento de 38,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O dado é do Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado (MPMT), e mostra que, em média, uma mulher é morta a cada seis dias.
Em 2020, ano mais violento da série, foram 41 casos nos oito primeiros meses e 62 ao longo de todo o ano. Em 2025, Cuiabá, Várzea Grande e Sinop lideram o ranking com três vítimas cada, seguidas por Sorriso, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde e Cáceres, com duas mortes em cada município.
O mês mais violento foi junho, com 10 assassinatos, seguido de maio (7). Já março, julho e agosto tiveram 4 vítimas cada; abril registrou 3; janeiro e fevereiro, duas em cada mês.
A violência ocorre, em grande parte, dentro do lar: 33% dos feminicídios foram cometidos dentro da residência da vítima. O meio mais utilizado foi a arma branca, presente em 47% dos crimes, reforçando o caráter brutal dos ataques, em sua maioria praticados por companheiros ou ex-companheiros.
O levantamento mostra ainda que apenas 22,2% das vítimas haviam registrado boletim de ocorrência contra o agressor e 13,8% possuíam medida protetiva. Entre os casos mais emblemáticos está o de Yasmin Farias Cardoso, de 27 anos, morta em março de 2025, em Rondonópolis, após acionar o botão do pânico no aplicativo “SOS Mulher MT”. O ex-companheiro invadiu sua casa e a assassinou, tirando a própria vida em seguida.
Segundo o Observatório, a maioria das vítimas é de mulheres jovens, mortas em contexto de violência doméstica ou de relacionamentos íntimos. O feminicídio, tipificado como crime hediondo desde 2015, segue sendo a face mais extrema da violência contra a mulher.







