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Fraudes, fantasmas e propina colocam saúde sob investigação

Operações da PF, CGU e MPF miram contratos suspeitos, servidores afastados e bloqueio de bens em órgãos da saúde pública de MT


Duas frentes de investigação estão em andamento para apurar graves irregularidades envolvendo órgãos da saúde pública em Mato Grosso. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) apuram fraudes em contratos que somam R$ 12,5 milhões, firmados entre 2023 e 2024, no Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá (DSEI). Os indícios apontam superfaturamento, favorecimento de empresas, além de pagamento de propina — com prejuízo estimado em R$ 1,3 milhão aos cofres públicos.

Na última quarta-feira (20), uma operação foi deflagrada, com o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão, afastamento de dois servidores e bloqueio de mais de R$ 20 milhões em bens dos investigados.

Paralelamente, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar contratações irregulares no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). A denúncia envolve dois supostos servidores “fantasmas” e possíveis conflitos de interesse relacionados a vínculos empresariais de um dos investigados.

As investigações revelam a fragilidade dos mecanismos de controle e transparência em instituições que deveriam ser exemplo de integridade. A repetição de escândalos envolvendo recursos da saúde indígena e da fiscalização médica acende um alerta sobre a gestão pública no estado — onde a corrupção insiste em desviar o que é essencial para a população: acesso digno à saúde.

É preciso que o combate à impunidade avance com transparência, responsabilidade e punição exemplar aos envolvidos. Afinal, recursos da saúde desviados são vidas colocadas em risco.