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Mauro Mendes x Eduardo Bolsonaro: embate expõe racha na direita e influencia cenário para 2026

A troca pública de críticas entre o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) marcou o noticiário político de 2025 e escancarou divergências estratégicas dentro do campo da direita brasileira às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.

O confronto, que começou com declarações indiretas, evoluiu para ataques diretos, vídeos nas redes sociais e desafios públicos, reverberando nacionalmente e impactando articulações eleitorais em Mato Grosso e no plano federal.

O estopim do conflito

O primeiro episódio ocorreu em 21 de agosto, quando Mauro Mendes reagiu a declarações do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), que classificou governadores de direita como “ratos”.

Irritado, Mendes afirmou que o vereador “falava pela boca o que devia sair por outro lugar”. No mesmo dia, Eduardo Bolsonaro saiu em defesa do irmão, ampliando o desgaste público.

Apesar do atrito com os filhos do ex-presidente, Mendes manteve diálogo com Jair Bolsonaro, que, nos bastidores, demonstrava simpatia por uma eventual candidatura do governador ao Senado.

No dia seguinte (22 de agosto), Mendes voltou ao debate nacional ao criticar a condução da política externa do governo Lula, defendendo maturidade diplomática nas relações com os Estados Unidos e alertando para riscos econômicos de confrontos ideológicos.

Confronto direto e escalada das críticas

A crise ganhou contornos mais duros em 7 de novembro, após Eduardo Bolsonaro atacar a possível candidatura presidencial do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), rotulando-o como “candidato do sistema”.

Em resposta, Mauro Mendes afirmou que Eduardo havia “enlouquecido” e classificou as declarações como irresponsáveis. A fala ocorreu durante a entrega de uma escola estadual em Cuiabá e teve ampla repercussão nacional.

Três dias depois (10 de novembro), Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais atacando diretamente Mauro Mendes e outros governadores, além de desafiá-lo a articular no Congresso apoio à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Mendes respondeu em entrevista à Jovem Pan News, aceitando o desafio e cobrando que Eduardo retornasse ao Brasil para fazer a articulação pessoalmente no Parlamento.

Tentativas de pacificação e divisões internas

Após a escalada do conflito, lideranças políticas tentaram reduzir os danos:

O secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, defendeu publicamente a união da direita O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), minimizou o embate e pregou diálogo Já o presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, avaliou que o retorno de Eduardo Bolsonaro ao Brasil poderia gerar instabilidade política

Paralelamente, o vereador Rafael Ranalli (PL) endureceu o discurso contra o governador e se colocou à disposição para disputar o Senado, defendendo uma “chapa pura” bolsonarista, sem a participação de Mauro Mendes.

Gestos simbólicos e leitura política

Em 15 de novembro, durante a inauguração do Autódromo Internacional do Parque Novo Mato Grosso, o vice-governador Otaviano Pivetta classificou o conflito como “passageiro”.

No mesmo evento, Abilio Brunini elogiou publicamente a obra do governo estadual, mas participou do almoço oficial em mesa separada do governador — gesto interpretado nos bastidores como sinal de distanciamento político.

Dois dias depois, Mauro Mendes descartou qualquer pedido de desculpas a Eduardo Bolsonaro e reafirmou sua relação direta com Jair Bolsonaro, destacando que o ex-presidente sempre teve conhecimento de sua atuação política.

Consequências para 2026

Em 23 de novembro, o deputado federal José Medeiros (PL) tentou atuar como mediador, afirmando que a base bolsonarista acataria uma eventual decisão de Jair Bolsonaro sobre alianças em Mato Grosso.

Mesmo assim, em 27 de novembro, Mauro Mendes voltou a criticar Eduardo Bolsonaro, alertando que disputas internas fragilizariam a direita no país.

O desfecho político veio semanas depois: o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, oficializou o apoio à candidatura do senador Wellington Fagundes ao governo de Mato Grosso, preterindo o vice-governador Otaviano Pivetta, nome defendido por Mendes.

Em 6 de dezembro, Abilio Brunini reconheceu publicamente que as rusgas entre Mauro Mendes e o clã Bolsonaro influenciaram a decisão partidária.

Ao longo de 2025, o embate entre Mauro Mendes e Eduardo Bolsonaro evidenciou divergências de estratégia, discurso e liderança dentro da direita brasileira. Embora tenha mantido alinhamento direto com Jair Bolsonaro, o governador de Mato Grosso adotou postura crítica em relação aos filhos do ex-presidente, reposicionando-se como um ator mais pragmático no tabuleiro político nacional.

O episódio não apenas marcou o ano político, como antecipou tensões que devem influenciar diretamente as alianças e disputas de 2026.