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Negros são minoria no poder público de Mato Grosso, aponta levantamento

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso possui apenas um deputado preto em sua composição, por isso evidencia sub-representação grave, enquanto isso contrasta com maioria populacional autodeclarada preta ou parda.

Com vinte e quatro parlamentares, Mato Grosso registra apenas quatro vírgula dezessete por cento de representatividade preta, além disso se posiciona entre os estados com menores índices nacionais.

Segundo o IBGE, cerca de sessenta e cinco por cento da população mato-grossense é preta ou parda, ou seja, existe descompasso significativo entre composição social e política estadual.

A advogada Sílvia Souza aponta racismo sistêmico como causa principal, por isso destaca imaginário histórico que associa pessoas negras à incapacidade intelectual e desqualificação moral injusta.

Ela afirma que preconceitos remontam ao período escravocrata, além disso foram reforçados após abolição, quando projetos políticos incentivaram embranquecimento populacional para apagar presenças negras.

Entre mil oitocentos sessenta e cinco e mil novecentos quinze, milhões de europeus chegaram ao país, ou seja, políticas privilegiaram imigração branca e apagaram ancestralidades negras nacionais.

Silvia lembra que Congresso Internacional das Raças discutiu embranquecimento, dessa forma consolidou narrativa racista, no entanto impactos permanecem evidentes nas disputas democráticas contemporâneas brasileiras.

Para especialista, ausência de políticas públicas eficazes pós-abolição dificultou formação de lideranças negras, por isso perpetuou desigualdades políticas, enquanto isso reforçou limitações estruturais de participação.