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22 famílias da Beira Rio e Praeirinho receberam ordem para desocupar pontos comerciais; Wilson Santos pede reunião e Abilio reage com crítica política

Vinte e duas famílias de pescadores que atuam há décadas na região da Avenida Beira Rio e do Praeirinho, em Cuiabá, foram notificadas pela Prefeitura para deixar os pontos comerciais onde trabalham. A medida gerou reação imediata do deputado estadual Wilson Santos (PSD), que pediu uma reunião com o prefeito Abilio Brunini (PL) para buscar uma solução negociada. Em resposta, o prefeito comentou nas redes sociais e transformou o debate em embate político ao citar a transferência do Hospital Universitário Júlio Müller para a região da MT-040.

O caso veio à tona após Wilson Santos publicar um vídeo ao lado dos trabalhadores, afirmando que todos possuem alvará e dependem exclusivamente da comercialização de pescado para sobreviver.

“Prefeito Abílio, este vídeo é para o senhor. Eu estou aqui com as 22 famílias que trabalham na região da Avenida Beira Rio e do Praeirinho. São comerciantes de pescado, todos possuem alvará, atuam há décadas, trabalham honestamente e receberam uma notificação para que deixem o local”, declarou o parlamentar.

Segundo ele, os comerciantes não possuem carteira assinada, décimo terceiro ou outra fonte de renda formal.

“Peço que o senhor nos receba ou venha até aqui para compreender a situação enfrentada por essas famílias e buscar uma solução pacífica e negociada. Esse é o único meio de sustento que eles possuem”, reforçou.

Resposta do prefeito

O prefeito Abilio Brunini respondeu à publicação em tom político, condicionando qualquer diálogo à postura do deputado em relação à mudança do Hospital Universitário Júlio Müller para fora da capital.

“Wilson, depois de mandar o Júlio Müller para Santo Antônio, só vou tratar desse assunto com outro político. Até você defender a volta do hospital e do Piquizeiro para Cuiabá. Não gostei de você prejudicar nossa cidade para favorecer Santo Antônio”, escreveu o prefeito.

Até o momento, a Prefeitura não publicou nota oficial detalhando os motivos técnicos das notificações nem informou prazo para desocupação.

A situação reacende o debate sobre ocupação de espaços públicos, impacto social em comunidades tradicionais e alternativas para garantir renda às famílias que vivem da atividade pesqueira na capital.