Prefeito de Tapurah acampa em Brasília e participa de manifestação antidemocrática
Carlos Capeletti é investigado pelo Ministério Público por compra de votos e descumprimento de decisão judicial
O prefeito de Tapurah (433 km ao médio-norte de Mato Grosso), Carlos Alberto Capeletti (PSD), viajou a Brasília para participar das manifestações antidemocráticas que ocorrem desde a vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2 de outubro.
Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira (14), o gestor aparece acampado na capital federal, distante mais de 500 km de seu município, e afirma acreditar que “algo muito bom” acontecerá “ainda nesta semana”.
“Viu nós tudo com camiseta, comprando comida para o acampamento e nos tranquilizou. Disse que vai acontecer algo muito bom para toda sociedade do Brasil ainda essa semana”, declarou o prefeito, ao relatar um encontro com o general Walter Braga Netto, candidato derrotado a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PL).
Capeletti descreve o general como “muito acessível” e diz acreditar que “a coisa vai funcionar”. Ele também afirma ter conversado com pessoas de outras regiões do país, especialmente do Norte e Nordeste, que questionam o resultado das urnas, embora a eleição tenha sido auditada e validada por instituições nacionais e internacionais.
Investigado por compra de votos
O prefeito de Tapurah é alvo de investigação do Ministério Público Eleitoral (MPE) por compra de votos durante a campanha de 2022.
A apuração foi motivada por um vídeo em que Capeletti anunciava o sorteio de um carro como incentivo a eleitores que votassem em Jair Bolsonaro.
Após o MP acionar a Justiça, o conteúdo foi removido por decisão judicial, mas o prefeito descumpriu a ordem e voltou a divulgar o vídeo.
Com isso, o Ministério Público requereu multa de R$ 600 mil em outubro, alegando reincidência e desobediência judicial.
Contexto
As manifestações antidemocráticas em Brasília começaram logo após a vitória de Lula, com grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro acampados em frente a quartéis e órgãos públicos, pedindo intervenção militar e anulação das eleições.
A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF) têm acompanhado de perto essas ações, que são consideradas ilegais e inconstitucionais.







