Secretário defende modelo de OS para manter serviços na Santa Casa
SAÚDE EM REDEFINIÇÃO
Instituto São Lucas foi o primeiro a apresentar proposta em leilão judicial do imóvel
A Santa Casa de Cuiabá vive um momento decisivo de transição. Com a abertura do Hospital Central, nesta segunda-feira (19), cerca de 80% da demanda atual da unidade será absorvida pelo novo hospital. Com isso, a Santa Casa deve deixar a atuação ampla em alta complexidade para concentrar esforços em áreas específicas, como oncologia e nefrologia.
No centro do debate está o futuro da gestão. O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou que o Estado não deve assumir a administração direta da unidade e defendeu a adoção do modelo de Organização Social (OS) ou gestão privada.
Segundo ele, a legislação pública é “engessada” e dificulta respostas rápidas na área da saúde. Além disso, o histórico recente da capital pesa contra uma eventual gestão municipal.
A avaliação do secretário leva em conta episódios considerados críticos, como o fechamento da Santa Casa em 2019, quando a unidade interrompeu atendimentos por dívidas e salários atrasados, além da intervenção estadual na Secretaria Municipal de Saúde durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro.
Para Figueiredo, esses fatos demonstram que a Prefeitura de Cuiabá não teria capacidade de absorver mais uma unidade hospitalar de grande porte.
Leilão definirá futuro da unidade
A definição do novo gestor passa pelo Tribunal Regional do Trabalho. Como o prédio e a marca pertencem à antiga fundação, que acumula dívidas trabalhistas, o leilão judicial é o caminho para regularizar a situação jurídica da unidade.
A primeira proposta apresentada foi do Instituto São Lucas, mantenedor do Hospital Hilda Strenger Ribeiro. A entidade ofertou R$ 20 milhões pelo imóvel no processo de execução trabalhista.
Gilberto Figueiredo destacou que modelos de gestão já consolidados, como o do Hospital Israelita Albert Einstein no Hospital Central e o próprio Instituto São Lucas, tendem a oferecer mais eficiência do que a administração pública direta.
O processo segue em análise judicial e deve definir os próximos passos para o funcionamento da Santa Casa.







