×

Após novo adiamento, sindicato do Judiciário sinaliza greve e acusa governo de interferência

Presidente do Sinjusmat, Rosenwal Rodrigues, anuncia paralisação e ameaça greve geral caso o reajuste de 6,8% aos servidores continue travado na Assembleia

A crise entre os servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso e o governo estadual se agravou nesta quarta-feira (5), após o novo adiamento da votação do projeto que prevê reajuste de 6,8% com ganho real à categoria.

O presidente do Sindicato dos Servidores do Judiciário (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues, anunciou uma paralisação imediata e alertou que, caso o impasse persista, o sindicato deve deliberar uma greve geral por tempo indeterminado na próxima semana.

“A primeira paralisação é por conta do brucutu Mauro Mendes. Ele não quer serviço da Justiça para a sociedade. Começamos hoje, um dia de paralisação, e se na semana que vem pedirem vista de novo, vamos parar de vez”, disparou.


Entenda o impasse

O protesto ocorre após o deputado Doutor Eugênio (PSB) pedir vista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), adiando mais uma vez a análise da proposta que já havia sido aprovada em primeira votação no plenário e recebeu parecer favorável do relator Eduardo Botelho (União).

O pedido de vista teria sido articulado a partir de orientação do Palácio Paiaguás, com o objetivo de travar o avanço da proposta — o que provocou revolta entre servidores que acompanharam a sessão.

Segundo Rosenwal, o governo Mauro Mendes estaria interferindo diretamente no processo legislativo, o que ele classificou como “abuso de poder”.

“Os trabalhadores do Judiciário não vão pagar a conta de interesses eleitorais. Se o governo continuar pressionando deputados e tentando impedir um direito constitucional, vamos partir para a greve. A categoria está mobilizada, e o presidente da Assembleia precisa garantir que o Judiciário seja respeitado”, afirmou.


Autonomia e legalidade

O presidente do Sinjusmat reforçou que o Judiciário tem autonomia financeira e orçamentária, e que o reajuste está dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

“Não existe ilegalidade, o que há é interferência política. O Judiciário tem plena capacidade financeira para garantir esse reajuste”, concluiu.

O projeto de recomposição salarial — defendido pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Zuquim Nogueira — deve retornar à pauta da CCJ na próxima semana. Até lá, o sindicato promete intensificar as mobilizações e pressionar a Assembleia Legislativa para garantir a aprovação da proposta.


Contexto político

O impasse ocorre em meio a uma cruzada do governo Mauro Mendes contra o aumento salarial de servidores de outros poderes, com receio de um efeito cascata que gere novas pressões salariais e desgaste político antes das eleições de 2026.

Nos bastidores, deputados afirmam que a ordem do Paiaguás é barrar o reajuste do Judiciário e transferir o ônus político à Assembleia, que enfrenta protestos crescentes de sindicatos e categorias do funcionalismo.