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Votação alta não garante mandato e candidatos com mais votos ficam fora da Câmara e da ALMT em MT

Ter uma votação maior que a de outros concorrentes não foi suficiente para garantir mandato a alguns candidatos de Mato Grosso nas eleições de 2026. Na disputa pela Câmara dos Deputados e pela Assembleia Legislativa (ALMT), nomes que apareceram entre os mais votados ficaram fora das vagas devido às regras do sistema proporcional, que considera não apenas o desempenho individual, mas também a votação alcançada pelos partidos e federações.

Um dos casos mais expressivos ocorreu na eleição para deputado federal. Nilson Leitão (PP) recebeu 61.904 votos e terminou como o oitavo candidato mais votado do Estado. Mesmo assim, não conseguiu uma das oito cadeiras destinadas a Mato Grosso na Câmara Federal.

Coronel Roveri (Podemos), por outro lado, foi eleito com 47.195 votos, quase 15 mil a menos que Leitão. Na classificação geral por votação nominal, Roveri apareceu na 11ª posição, mas conquistou o mandato em razão da distribuição das vagas pelo sistema proporcional.

A situação ocorre porque as oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara não são simplesmente destinadas aos oito candidatos que receberam mais votos. Antes da definição dos nomes, são considerados os votos obtidos pelas legendas e seus candidatos para estabelecer quantas vagas cada partido ou federação poderá ocupar.

A diferença entre quantidade de votos e conquista do mandato também ficou evidente na disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa.

Eduardo Botelho (MDB) somou 37.359 votos, mas terminou a eleição sem mandato, apesar de ter recebido votação superior à de quatro candidatos que conseguiram chegar à ALMT.

Outros nomes também ficaram nessa situação. Paulo Araújo (Republicanos) recebeu 30.338 votos; Ari Lafin (Republicanos), 29.408; e Jéssica Riva (MDB), 25.979. Mesmo com votações superiores às registradas por alguns dos eleitos, nenhum dos três conquistou uma cadeira.

Republicanos e MDB deixam candidatos bem votados fora

O Republicanos conquistou quatro das 24 vagas disponíveis na Assembleia Legislativa. Foram eleitos Diego Guimarães, com 40.482 votos; Valmir Moretto, com 37.653; Dr. Eugênio, com 36.700; e Nininho, com 33.438.

Com as quatro vagas da legenda preenchidas, Paulo Araújo e Ari Lafin ficaram fora da próxima composição da Assembleia, embora ambos tenham recebido mais votos individualmente do que alguns candidatos eleitos por outras siglas.

No MDB, foram conquistadas três cadeiras. Dr. João foi eleito com 55.955 votos, Leo Bortolin recebeu 51.040 e Thiago Silva obteve 40.856.

Botelho, com 37.359 votos, e Jéssica Riva, com 25.979, não avançaram na distribuição das vagas destinadas ao partido.

Em sentido contrário, candidatos com votação nominal menor conseguiram mandato. Alcino Barcelos (PL), por exemplo, foi eleito com 22.624 votos. Adelcino Lopo (Podemos) garantiu uma cadeira com 21.146.

Também foram eleitos Wilson Santos (PSD), com 19.911 votos, e Chico Guarnieri (PSDB), com 18.842. Todos receberam menos votos individualmente que Botelho, que não conseguiu retornar à Assembleia.

Entenda por que quem tem mais votos pode ficar de fora

Nas eleições para deputado federal e estadual, o Brasil utiliza o sistema proporcional. Diferentemente das disputas majoritárias, não basta organizar todos os candidatos do mais votado ao menos votado e entregar as vagas aos primeiros colocados.

Os votos recebidos pelos candidatos e os votos dados diretamente às legendas são considerados nos cálculos que determinam a quantidade de cadeiras destinadas aos partidos e federações.

Depois dessa distribuição, as vagas pertencentes a cada grupo partidário são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro da própria legenda ou federação, observadas as exigências previstas na legislação eleitoral e as regras para distribuição das sobras.

Por esse motivo, um candidato pode obter mais votos do que outro concorrente de partido diferente e ainda assim não ser eleito. O desempenho coletivo da legenda tem impacto direto na definição das cadeiras.

Foi justamente esse mecanismo que produziu situações como a de Nilson Leitão na Câmara Federal e de Eduardo Botelho, Paulo Araújo, Ari Lafin e Jéssica Riva na Assembleia Legislativa.

Os resultados detalhados da eleição também podem ser consultados por meio do painel desenvolvido pela Sparta Tecnologia, que utiliza dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e oferece filtros para visualizar a votação por candidato, partido, município, zona e seção eleitoral, além de mapas e gráficos comparativos.

O resultado das urnas de 2026 reforça uma característica importante das eleições proporcionais: uma votação individual expressiva aumenta as chances de conquista do mandato, mas, sozinha, não determina quem ocupará uma cadeira na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa.

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