Abin paralela investigou extorsão contra Bolsonaro do TJMT, aponta PGR
Documento da PGR cita uso da inteligência estatal em suposto esquema de espionagem ilegal durante gestão Bolsonaro; magistrado de Mato Grosso teria sido alvo.
O escândalo da “Abin paralela” chegou a Mato Grosso. Um ex-presidente do Tribunal de Justiça do estado teria sido alvo de monitoramento ilegal em 2020.
O caso está nas alegações finais da PGR no processo que pede a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. O nome do magistrado não foi citado.
Na época, o TJMT era presidido pelo desembargador Carlos Alberto Rocha, que disse desconhecer o episódio. A suspeita recai sobre o uso do sistema First Mile.
A ferramenta, de origem israelense, teria sido usada para rastrear o celular de uma pessoa acusada de extorquir o presidente do TJ. O número, no entanto, estava offline.
As mensagens revelam que o ex-diretor da Abin, Carlos Afonso, foi acionado via WhatsApp por um contato identificado como “Diogo da SEMT”.
Mesmo sem ofício formal, a estrutura da inteligência nacional foi mobilizada apenas com a troca de mensagens. A operação não teve êxito.
Carlos Afonso confirmou à PF que utilizou o First Mile no caso. Ele foi testemunha de Alexandre Ramagem, acusado de chefiar o núcleo da Abin paralela.
A PGR afirma que a Abin, sob Ramagem, atuava de forma clandestina, coletando dados sem controle e fora dos limites do Estado Democrático de Direito.
O episódio reforça as acusações de que Bolsonaro teria usado órgãos de Estado para fins pessoais e políticos, violando normas institucionais.
O caso do TJMT é mais uma das peças do quebra-cabeça que compõe o inquérito sobre a tentativa de golpe em investigação pelo STF.








