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Segunda ponte com risco estrutural expõe crise na manutenção urbana e amplia pressão sobre gestão Abilio em Cuiabá

Após interdição da ponte do córrego do Moinho, nova estrutura é condenada na capital; cenário reacende debate sobre prevenção, limpeza e prioridade da administração municipal.

Cuiabá voltou a registrar mais um caso de ponte com comprometimento estrutural, ampliando a pressão sobre a gestão do prefeito Abilio Brunini e reacendendo o debate sobre manutenção urbana, prevenção e resposta do poder público.

Desta vez, a estrutura afetada é a ponte sobre o Córrego Fundo, na Rua 13, entre os bairros Boa Esperança e Santa Cruz, que foi interditada e deverá ser demolida após avaliação técnica apontar comprometimento generalizado dos pilares. Segundo a Prefeitura, apenas um dos apoios permaneceu intacto, e a reconstrução será feita em parceria com o Governo do Estado. A previsão oficial é de cerca de 60 dias de interdição.

O novo caso surge meses após a interdição da ponte sobre o córrego do Moinho, entre Itamarati, Planalto e região do Belvedere, fechada desde agosto de 2025 por risco de colapso. Na ocasião, a própria Prefeitura informou que vistorias identificaram recalque diferencial, solapamento das fundações e risco iminente de desabamento. Em fevereiro deste ano, o Estado validou o projeto para substituição da estrutura, com valor estimado em R$ 3,865 milhões, mas até agora a população segue sem obra iniciada no local.

A repetição de problemas em duas pontes urbanas importantes, em curto intervalo de tempo, fortalece críticas sobre a capacidade de prevenção da administração municipal, principalmente em um período marcado por fortes chuvas, enxurradas e acúmulo de resíduos em galerias, córregos e estruturas viárias. A própria Prefeitura reconheceu que os indícios de desmoronamento na ponte do Córrego Fundo se agravaram com as chuvas intensas que atingiram a cidade nos últimos dias.

Nos bastidores, o desgaste político aumenta porque a cidade já vinha debatendo mudanças profundas na área de zeladoria urbana. Em fevereiro, Abilio confirmou o plano de extinguir a Limpurb e transferir suas funções para uma futura Secretaria Municipal de Serviços Urbanos. O prefeito também justificou a medida citando o passivo financeiro da empresa e a necessidade de reestruturação administrativa.

Antes disso, o município já havia enfrentado turbulência com o encerramento do contrato com a MD Terceirizados, situação que gerou desligamentos e questionamentos sobre a continuidade dos serviços urbanos. A própria Prefeitura informou em setembro de 2025 que o contrato havia sido encerrado em maio e que o modelo emergencial então adotado não poderia ser mantido, exigindo nova licitação.

Nesse cenário, moradores e vereadores passaram a cobrar mais do que ações emergenciais. A leitura política é que Cuiabá enfrenta não apenas problemas pontuais de infraestrutura, mas sinais de fragilidade acumulada na manutenção preventiva da cidade, especialmente em áreas sensíveis ao período chuvoso.

O desgaste cresce ainda mais porque a gestão municipal também foi alvo de polêmica em torno de contrato milionário para serviços com “robô cachorro” em drenagem e saneamento. Em ação popular, foram apontados supostos indícios de irregularidades, sobrepreço, falhas de fiscalização e prejuízo superior a R$ 5 milhões aos cofres públicos.

Com duas pontes interditadas ou condenadas em sequência, moradores cobram respostas objetivas: o que faltou fazer antes, por que os alertas não impediram o agravamento e qual é o plano real da Prefeitura para evitar que novos pontos da cidade entrem em colapso com as chuvas?

A nova interdição transforma um problema técnico em crise política, porque atinge diretamente a mobilidade urbana, a rotina dos bairros e a confiança da população na capacidade de gestão da infraestrutura da capital.