Justiça reconhece violência de gênero contra Janaina Riva e impõe medidas protetivas a agressor
Juiz determinou restrição de aproximação, proibição de contato e acionamento da Patrulha Maria da Penha após áudios ofensivos
A Justiça de Mato Grosso reconheceu que os ataques divulgados em áudios de WhatsApp contra a deputada estadual Janaina Riva (MDB) configuram violência de gênero e determinou a aplicação imediata de medidas protetivas contra o autor das ofensas, Deliandsom Milton da Silva, de 41 anos.
A decisão, proferida nesta sexta-feira (7) pelo juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, considerou que os áudios ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e caracterizam violência psicológica e moral contra a parlamentar.
“O conteúdo do áudio evidencia constrangimento e humilhação pública, com o objetivo de macular a imagem e a dignidade da deputada”, destacou o magistrado.
Segundo o juiz, o fato de a vítima ser uma mulher no exercício de cargo público agrava a conduta do agressor, pois busca inferiorizar e deslegitimar a atuação feminina no espaço político.
Entre as seis medidas protetivas impostas pela Justiça estão:
- suspensão e restrição do porte de arma;
- proibição de aproximação num raio de 500 metros;
- proibição de contato por qualquer meio de comunicação;
- proibição de divulgar ou compartilhar conteúdos ofensivos;
- disponibilização do botão do pânico (app SOS Mulher);
- acompanhamento da Patrulha Maria da Penha, com relatórios enviados ao Judiciário.
O descumprimento das medidas configura crime, com pena de até dois anos de detenção. A Polícia Civil deverá ouvir o acusado e investigar possíveis antecedentes e posse de armas.
O caso
Os áudios começaram a circular em grupos de WhatsApp na madrugada de quinta-feira (6) e chegaram até a parlamentar por meio de servidores. Nas gravações, o homem utiliza expressões de cunho sexual e misógino para debochar da deputada, incentivando o compartilhamento do conteúdo.
“Pode mandar em todos os grupos, pode mandar sem dó e nem piedade”, diz um trecho da gravação.
A deputada registrou boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher em Cuiabá e denunciou o servidor, que foi exonerado ainda na noite de quinta-feira.







