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 Max Russi diz que união entre Bolsonaro e Mendes “muda o tabuleiro político” de 2026

Presidente da Assembleia afirma que eventual apoio de Bolsonaro ao vice-governador Otaviano Pivetta altera o cenário eleitoral e força rearranjos partidários em Mato Grosso.

Texto da matéria:

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PSB), afirmou nesta quarta-feira (22) que um eventual apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa pelo governo do Estado em 2026 provocaria mudanças significativas nas alianças políticas e na configuração eleitoral de Mato Grosso.

“Se houver isso, muda o quadro político de Mato Grosso. Mudam-se as composições, mudam-se os arranjos, é algo que muda bastante o tabuleiro”, declarou Max Russi em entrevista à imprensa.

A sinalização de apoio foi discutida durante uma reunião sigilosa realizada na segunda-feira (20), em Brasília, entre Bolsonaro e a direção nacional do PL, da qual também participou o presidente do partido em Mato Grosso, Ananias Filho.

Pressão sobre Wellington Fagundes

A movimentação nacional do PL cria pressão sobre o senador Wellington Fagundes (PL), que vinha se colocando como pré-candidato ao governo estadual.

Caso a aliança entre Bolsonaro e Pivetta se confirme, a candidatura de Fagundes poderá ser revista internamente.

“Todo mundo via um cenário muito claro, com segundo turno, em uma disputa polarizada. Em se tirando um candidato da disputa — porque se isso acontecer tira-se um candidato — é algo bem diferente”, observou Russi.

O deputado destacou, contudo, que nenhuma eleição é simples e que alianças antecipadas podem ter efeitos imprevisíveis.

“Eu já disputei várias eleições, e não existe eleição fácil. Muitas vezes, os arranjos feitos nos bastidores acabam sendo piores na prática. Há casos emblemáticos em Mato Grosso que mostraram isso”, ponderou.

Cenário político e bastidores

Segundo interlocutores próximos ao PL, Bolsonaro teria reafirmado apoio às candidaturas de Mauro Mendes (União Brasil) e do deputado federal José Medeiros (PL) ao Senado.

O gesto indica reaproximação entre o ex-presidente e o grupo político do governador, com quem compartilha bandeiras conservadoras e agenda econômica liberal.

Nos bastidores, lideranças do PL avaliam que a união entre Mendes e Bolsonaro pode reduzir divisões internas, fortalecer o campo conservador e isolar adversários de esquerda no pleito de 2026.

Embora o Republicanos mantenha diálogo com diferentes correntes políticas, Pivetta é visto por aliados de Bolsonaro como um gestor pragmático, alinhado ao agronegócio e às pautas econômicas liberais — setores estratégicos para a direita mato-grossense.

Repercussão

Para Max Russi, o novo cenário político exigirá diálogo entre lideranças estaduais e rearranjos partidários.

“Em política, nada é difícil. Mas, com certeza, será preciso conversar muito. Se essa união se confirmar, o tabuleiro muda completamente”, resumiu.