×

Mulheres ampliam espaço na corrida de 2026, mas ainda enfrentam barreira histórica no poder em Mato Grosso

Com 51% do eleitorado, nomes femininos começam a ganhar força para Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia, em um cenário ainda marcado por baixa representatividade.

Mesmo sendo maioria entre os eleitores de Mato Grosso, as mulheres ainda tentam transformar força numérica em presença real nos principais cargos políticos do Estado. A poucos meses das eleições gerais de 2026, porém, lideranças femininas começam a ganhar espaço no debate eleitoral e já aparecem como nomes competitivos para as disputas majoritárias e proporcionais.

Na corrida ao Governo de Mato Grosso, o nome que desponta é o da médica e empresária Natasha Slhessarenko, filiada ao PSD e apresentada por aliados como pré-candidata ao Palácio Paiaguás. Para o Senado, a deputada estadual Janaina Riva segue como principal nome feminino em evidência, enquanto a ex-vereadora Edna Sampaio tenta abrir espaço no campo da esquerda. Também aparece no radar a senadora suplente Margareth Buzetti, hoje no exercício do mandato.

Na disputa pela Câmara Federal, surgem como nomes competitivos a deputada Gisela Simona, a ex-deputada Rosa Neide, a advogada Ana Flávia Rodrigues Ramiro, a Flavinha, e a educadora Professora Graciele, de Sinop. Já na corrida por vagas na Assembleia Legislativa, aparecem vereadoras como Samantha Iris, Maysa Leão e Michelly Alencar, além de outras lideranças que se movimentam no interior.

O avanço dessas pré-candidaturas ocorre em um cenário de contraste. Segundo o TRE-MT, as mulheres representam cerca de 51% do eleitorado mato-grossense, com aproximadamente 1,3 milhão de eleitoras, contra 49% de homens. Ainda assim, essa maioria não se reflete na ocupação dos espaços de poder.

Nas eleições municipais de 2024, Mato Grosso elegeu 277 vereadoras, o equivalente a 20% das 1.404 cadeiras existentes nas câmaras municipais do Estado, o maior percentual da história local, mas ainda distante da paridade. O número representou crescimento de 21% em relação à legislatura anterior.

O desafio é ainda maior nos cargos de maior peso político. Em 2022, nenhuma mulher foi eleita governadora ou senadora por Mato Grosso, e na atual composição da Assembleia Legislativa apenas uma mulher, Janaina Riva, ocupa uma das 24 cadeiras. O quadro reforça que, apesar do crescimento pontual, a presença feminina no topo da política estadual ainda é exceção.

Com a aproximação de 2026, o surgimento de novas candidaturas femininas pode dar mais densidade ao debate sobre representatividade no Estado. O teste agora será saber se o peso do eleitorado feminino finalmente conseguirá se converter em protagonismo efetivo nas urnas e nos espaços de decisão.