Presidente do TJ nega recuo sobre aumento a servidores e desafia pressão do governo
José Zuquim afirma que não voltará atrás na proposta de reajuste de 6,8% e rebate críticas de Mauro Mendes sobre impacto nas contas públicas.
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), José Zuquim Nogueira, afirmou nesta segunda-feira (3) que não pretende recuar da proposta de reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Judiciário.
A declaração vem em meio à ofensiva do governador Mauro Mendes (União Brasil), que tenta articular sua base na Assembleia Legislativa para barrar o projeto, já aprovado em primeira votação.
“Eu não tenho como recuar. O projeto foi apresentado por mim e aprovado por unanimidade pelo colegiado. Foi chancelado pelo corregedor nacional de Justiça. Eu não tenho nem legitimidade para recuar”, afirmou Zuquim.
Clima de tensão entre os Poderes
Zuquim disse que cumpriu seu papel institucional ao encaminhar o projeto e que agora a decisão cabe ao Parlamento e ao Executivo.
“Cada um age como pensa. Eu penso que não há recuo. Cabe à Assembleia votar e ao governador vetar ou não vetar. Esse é o papel de cada um”, completou o desembargador.
O projeto de aumento foi aprovado em primeira votação na semana passada, mas o governo mobiliza aliados para impedir a aprovação final. A pressão política é intensa, já que Mendes teme efeitos em cascata em outras categorias do funcionalismo.
Rebate à Sefaz e defesa da proposta
O presidente do TJMT também rebateu as críticas da Secretaria de Fazenda (Sefaz), que alertou sobre o possível impacto previdenciário a longo prazo.
“O que está sendo explorado é uma previsão de aumento previdenciário futuro, mas não apontaram receita para isso. Há uma estimativa de gasto, mas também é preciso mostrar como será coberto gradualmente. Isso não foi apresentado”, argumentou Zuquim.
O magistrado reforçou que o aumento é sustentável e responsável, aprovado dentro dos limites legais e orçamentários do Judiciário.
Contexto político
A tentativa do governo de barrar o aumento também é vista como um movimento político.
Mendes pretende disputar o Senado em 2026 e, segundo aliados, teme desgaste com a concessão de reajustes que possam gerar efeito dominó entre os servidores estaduais.
Nos bastidores, a estratégia do Palácio Paiaguás seria transferir o ônus da negativa aos deputados, caso o projeto seja rejeitado em segunda votação, prevista para quarta-feira (5).







