Filho de Gilmar Mendes amplia influência nos bastidores da CBF
Francisco Schertel Mendes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, tornou-se uma das figuras mais influentes nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Vice-presidente da Federação Mato-grossense de Futebol desde janeiro, ele passou a integrar a assembleia da CBF, com direito a voto. Francisco também é membro do comitê disciplinar da Fifa e diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição fundada pelo pai.
O IDP mantém desde 2023 uma parceria com a CBF Academy, braço educacional da confederação. Pelo contrato, o instituto fica com 84% do faturamento bruto da operação, enquanto 16% são destinados à CBF.
Segundo a reportagem, Francisco possui aliados e indicados em áreas estratégicas da entidade. Dirigentes ouvidos reservadamente afirmam que sua ligação familiar com um ministro do STF aumenta o peso de sua atuação e dificulta contestações internas.
O grupo ligado a Francisco, conhecido como “turma de Brasília”, trabalha para criar uma liga única responsável pela organização do Campeonato Brasileiro. A proposta prevê a saída dos clubes de blocos comerciais já existentes, como a Futebol Forte União (FFU), e a manutenção de uma ligação direta com a CBF.
A confederação defende que uma liga profissional pode ampliar as receitas do futebol nacional. Estudo encomendado pela entidade aponta que os clubes brasileiros faturaram € 1,8 bilhão na temporada 2024/2025, enquanto a Bundesliga, da Alemanha, alcançou € 5,1 bilhões.
Francisco também participou de uma viagem com representantes dos 40 clubes das séries A e B para conhecer os modelos das ligas da Alemanha, Espanha e Inglaterra. Fluente em alemão, atuou como tradutor durante parte da agenda.
A ascensão do grupo ocorreu após a saída de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF e a eleição de Samir Xaud. Antes da mudança, uma decisão de Gilmar Mendes enviou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro o processo que resultou no afastamento de Ednaldo. O ministro afirma que decidiu com base em sua interpretação jurídica e sem influência externa.
Com formação acadêmica, contatos políticos e proximidade com dirigentes, Francisco aparece como um nome em expansão no comando do futebol brasileiro e nas discussões sobre a futura liga de clubes.








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