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Repasses do governo federal a Cuiabá somam R$ 1 bilhão e superam gestão Bolsonaro

Mesmo com o prefeito Abilio Brunini (PL) afirmando publicamente que Cuiabá não recebe apoio financeiro do governo federal, dados oficiais do Portal da Transparência da União apontam o contrário. Somente em 2025, a capital mato-grossense recebeu R$ 1,034 bilhão em repasses da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O montante representa um aumento de cerca de 20% em relação a 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), quando Cuiabá recebeu R$ 820,6 milhões em transferências federais.

Os recursos foram destinados por meio de convênios, programas sociais, financiamentos habitacionais e custeio de serviços essenciais, como saúde e assistência social.


Habitação lidera volume de investimentos

Entre os principais repasses está o setor habitacional. Somente em 2025, Cuiabá foi contemplada com 692 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, rebatizado pela gestão municipal como Casa Cuiabana.

Desde 2023, já são mais de 9,41 mil moradias contratadas na capital, além de 8,7 mil unidades financiadas com recursos do FGTS, fortalecendo o acesso à casa própria.


Saúde tem custeio federal em larga escala

Na área da saúde, o levantamento aponta forte participação do governo federal no custeio da rede municipal:

  • 27 médicos do programa Mais Médicos
  • 131 equipes de Saúde da Família e Atenção Primária
  • 585 agentes comunitários de saúde
  • 301 agentes de combate a endemias
  • 83 Unidades Básicas de Saúde (UBSs)
  • 4 UPAs
  • 56 equipes de saúde bucal
  • 34,8 mil pessoas atendidas pelo Farmácia Popular

Todos esses serviços contam com financiamento direto da União.


Transferência de renda soma R$ 2,55 bilhões

Além dos repasses institucionais, os programas de transferência direta de renda beneficiaram milhares de cuiabanos. Ao todo, R$ 2,55 bilhões foram pagos diretamente a pessoas e famílias do município, distribuídos da seguinte forma:

  • Bolsa Família: R$ 300 milhões
  • Benefício de Prestação Continuada (BPC): R$ 345 milhões
  • Auxílio-Gás: R$ 3,05 milhões
  • Seguro-Desemprego: R$ 186 milhões
  • Benefícios Previdenciários: R$ 1,73 bilhão

Discurso político x números oficiais

Apesar dos números, o prefeito Abilio Brunini mantém postura crítica em relação ao governo federal. Ele já afirmou que não buscará relação institucional com o presidente Lula e garantiu que não participará de eventos com o chefe do Executivo nacional em Cuiabá, caso ocorram.

No início do mês, Abilio chegou a atribuir ao governo federal a crise financeira enfrentada pelo município.

“Esse estado de cautela não se dá apenas por Cuiabá, mas pela situação do nosso país. O governo federal não está conseguindo cumprir metas fiscais nem atrair investidores”, afirmou o prefeito.

Em outra ocasião, reforçou:

“O governo federal não tem repassado aos municípios o valor que é prometido, politicamente falando”.

A postura crítica é mantida desde a campanha eleitoral. Alinhado ao bolsonarismo, Abilio costuma afirmar que “em Cuiabá, o petismo não cria”, mesmo diante dos dados oficiais de repasses.