Filha de Renato Nery relata ameaça de prisão por celular horas após atentado em Cuiabá
A empresária Lívia Moreira Gomes Nery, filha do advogado Renato Gomes Nery, afirmou ter sido ameaçada de prisão por um suposto policial civil que exigia a entrega imediata do celular de seu pai poucas horas após o atentado que resultou na morte dele.
O relato foi apresentado nesta quarta-feira, durante o julgamento de Alex Roberto de Queiroz Silva, caseiro acusado de executar o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). Lívia foi a primeira testemunha de acusação ouvida pelo Tribunal do Júri.
Durante o depoimento, a empresária contou que acompanhou o pai na ambulância até o Complexo Hospital de Cuiabá, antigo Hospital Jardim Cuiabá, logo após ele ser baleado.
Segundo Lívia, enquanto familiares, amigos, advogados e profissionais da imprensa se concentravam no hospital, um homem que se apresentou como policial civil teria exigido que ela entregasse o aparelho celular de Renato, embora o advogado ainda estivesse vivo naquele momento.
A testemunha afirmou que o policial a abordou no corredor e disse que ela poderia ser presa caso se recusasse a entregar o telefone. Lívia respondeu que somente liberaria o aparelho mediante a apresentação de uma ordem judicial.
Ela relatou ter decidido manter o celular após receber orientação do advogado Walmir Cavalheri, amigo da família e atual assistente de acusação no processo. Conforme a empresária, havia um clima de insegurança e desconfiança no hospital, e os familiares não sabiam em quem poderiam confiar.
Mesmo depois da primeira negativa, de acordo com o depoimento, o investigador teria voltado a pressioná-la e repetido que ela poderia ser detida. Lívia disse que manteve a recusa, enquanto o pai permanecia internado em estado grave.
Ainda segundo a testemunha, somente durante a tarde o policial retornou ao hospital com uma decisão judicial autorizando a apreensão do telefone. Após a apresentação do documento, ela entregou o aparelho e assinou o registro, que teria sido incluído no processo.
Família recebeu alertas sobre possíveis novos ataques
Além da pressão para entregar o celular, Lívia declarou que a família começou a receber alertas sobre possíveis ameaças ainda dentro do hospital.
Conforme o depoimento, pessoas próximas associavam o atentado às disputas agrárias em que Renato Nery atuava profissionalmente e orientavam os familiares a adotar medidas de segurança, como a contratação de escolta e a utilização de veículos blindados.
A empresária afirmou que, antes do assassinato, a família não possuía qualquer esquema especial de proteção e levava uma rotina comum. Após o crime, porém, os familiares passaram a conviver com o medo e precisaram mudar seus hábitos.
Emocionada, Lívia declarou que nunca imaginou que a família precisaria reforçar a segurança ou alterar completamente sua rotina. Segundo ela, todos sempre trabalharam normalmente e não esperavam enfrentar uma situação desse tipo.
O depoimento integra o júri popular que apura a participação de Alex Roberto de Queiroz Silva na execução de Renato Gomes Nery.








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